C/R mais decisivo que montanhas algarvias, ou o peso de 18 kms em detrimento de 600 ?

castr

Numa prova de média montanha, como o caso da Volta ao Algarve, a tendência para o favoritismo final, pende naturalmente para os contrarrelogistas. O peso da C/R mostrou hoje, que é extraordinariamente decisivo nas provas de ciclismo modernas, em que os ataques praticamente não existem.

Ontem, nas montanhas de Monchique,  Dan Martin sabia que tinha de ganhar tempo aos seus rivais, se queria ser o rei da Volta ao Algarve, mas tal como tinhamos previsto também, os penosos 18 kms de Sagres foram mais decisivos que os restantes 600 kms da prova.

castroviejo

Castroviejo foi o vencedor do crono. A nossa aposta foi correta, o espanhol tem evoluído muito no C/R, é um razoável trepador para este tipo de dificuldades, em que as grandes montanhas estão ausentes e, na frente da corrida, estão bons ciclistas, mas na sua maioria especialistas do C/R. Senão vejamos:

1º Roglic, 2º Kwiatikowski , 3º Castroviejo, 4º Gallopin, 5º Luis Leon Sanchez e mesmo em sétimo já aparece Tony Martin. Daniel Martin, esse foi para a um modesto sexto lugar, muito dificil de dar a volta à situação, ele que vinha catalogado como favorito numero um. A Volta ao Algarve, embora ainda não tenha chegado ao fim, falta o Malhão e as bonificações, muito dificilmente acontecerá grandes mudanças na classificação.

Este resultado prova, que o ciclismo atual, feito á base de muito controlo das equipas, quase todas com capacidade para o fazer, tem pouco de aliciante, remetendo, na maioria dos casos a decisão para o C/R. É certo que, na edição deste ano da algarvia, faltam os grandes nomes mundiais, como Contador, Valverde, Pinot,  e outros que tais, ciclistas de ataque, que alegram as corridas, as movimentam e espetacularizam.

Feitas as contas, amanhã será mais uma etapa para sprinters decidirem, e o Malhão como pano de fundo, para um eventual ataque à liderança do Roglic.

Com um bom nono posto, atenção que os grandes nomes do C/R estavam cá quase todos, Nelson Oliveira, foi obviamente o melhor luso, de onde apenas se aproximou Alejandro Marque, 21º a 52 segundos, que embora não sendo português, é de uma equipa portuguesa.

Amaro Antunes e Rinaldo Nocentini fecham o top ten, da geral individual, de onde saíu Edgar  Pinto, ele que não é propriamente um especialista no esforço solitário.

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