VOLTA AO ALGARVE… 2.HC?

Há quem esteja familiarizado com estas terminologias que classificam provas de ciclismo (de estrada), que muitas vezes mais parecem fórmulas químicas, mas também há quem desconheça por completo, ou quase, o que significa, por exemplo, o tal 2.HC que agora ostenta a Volta ao Algarve. Ouve-se dizer que subiu de escalão, tal como a Volta ao Alentejo, mas para que escalão e que implicâncias é que isso tem.

Ora, referindo-se a provas inscritas no calendário internacional UCI (temos oito ao longo de toda a época em Portugal) o 2.HC é dos escalões mais altos na hierarquia internacional, suplantado pelo 2.UWT que, como indica o WT, identifica as provas do calendário Worldtour. O 2.HC (hors categorie) é o que se segue. O 2.UWT, identifica o Tour ou o Giro, mas não identifica o Paris-Roubaix. E porquê se a prova também é Worldtour? O Paris-Roubaix classifica-se como 1.UWT. O dois serve para assinalar provas por etapas enquanto o um identifica provas com a duração de um dia.

Assim no nosso calendário internacional, nomeadamente, temos a Clássica da Arrábida como 1.2, e a Volta ao Alentejo como 2.1, a mesma da Volta a Portugal. Como já se reparou, para além da classificação etapas/1 dia, também o que se segue é diferente. Na hierarquia internacional, a Volta ao Algarve está no topo português (2.HC), segue-se a Volta ao Alentejo e a Volta a Portugal (2.1) e o GP Internacional de Torres Vedras (2.2). Tendencialmente, quanto mais alto o segundo digito, menor será a importância da prova ou, note-se bem, classifica outro escalão: por exemplo, a Volta a Portugal de Juniores é 2.14, e a Volta a Portugal de Cadetes é 2.17, tal como as respectivas provas da taça de Portugal são 1.14 ou 1.17.

Voltando ao panorama internacional, cada escalão UCI, implica obviamente cadernos de encargos diferentes na realização das provas, designadamente em relação a prémios de corrida. Quanto mais alto for o nível, mais exigente é o caderno de encargos e mais interventiva é a UCI. Pertencendo a um escalão mais restrito, há acesso a melhores equipas e ciclistas, a pontuações diferentes para os rankings, mas também as imposições da UCI, nomeadamente em termos de colocação da prova no calendário e do número de dias de competição, são bem mais restritivas. Afecta também a capacidade de integração de equipas nacionais, sejam elas continentais ou de clube (quanto a estas últimas, veja-se a Volta ao Alentejo deste ano).

Mudar de escalão, parece apenas uma questão de números e letras, bem como uma fácil propaganda de subida sempre do agrado do adepto da modalidade. Mas não é. As implicâncias e a sustentabilidade têm de ser bem ponderadas, designadamente na Volta a Portugal, que mantém o 2.1.

Ainda em referência ao nosso calendário internacional é de assinalar uma prova com a classificação 2.2U. É a Volta a Portugal do Futuro, inserida no escalão 2.2, e com o U que abrevia Under, referindo-se essencialmente aos Under-23. Também existem classificações sem números. Os campeonatos nacionais, em qualquer país, são CN, valendo o mesmo ser campeão português, alemão ou libanês.

No mesmo “troféu” podem também juntar-se provas de escalões diferentes. O trofèu Liberty Seguros, teve na prova de abertura uma competição nacional 1.12, a que juntará duas internacionais, 1.2.

Depois de tantos números e letras, só poderemos chegar a uma conclusão. Para a UCI, ao Volta ao Algarve é de facto a prova mais importante do calendário português. Mas os números oficiais não serão tudo. Cada um terá os seus próprios números.
Luís Gonçalves

1 comentário a “VOLTA AO ALGARVE… 2.HC?”

  1. E continua a saga. OK! Já percebemos. Não quer admitir o óbvio, ou seja comparando com o futebol o campeonato português está acima da liga dos campeões. “Capito” Luís Gonçalves. Decididamente, você, defende a sua “dama” e isso é mau em jornalismo!

Os comentários estão fechados.