A TARDIA APRESENTAÇÃO DA VOLTA AO ALENTEJO

Como saberão os mais atentos, a 35ª Volta ao Alentejo, terá a sua apresentação, oficial e pública, no próximo dia 7 de Fevereiro, em Montemor o Novo, quinze dias antes da primeira etapa.

Na perspectiva do adepto comum que, com frequência, gosta de se deslocar às corridas se, por exemplo, da Volta ao Algarve, e bem, já se conhecem as etapas com bastante antecedência, sendo divulgadas posteriormente as cerejas que vão enfeitando o bolo, da Volta ao Alentejo, novamente, da perspectiva do adepto comum, nem uma coisa nem outra.

A questão não é exclusiva da Alentejana. A meu ver, a maioria das provas em Portugal, são divulgadas a destempo. Não raras vezes fica o cidadão comum a tentar adivinhar as etapas da prova, no desejo de conseguir uma estadia próxima dos locais, com o tal preço razoável.
No Alentejo, a zona mais extensa do país e em que a oferta hoteleira, apesar de ter melhorado substancialmente, ainda não é muito vasta, a questão deveria ser vista com mais afinco.

Pode-se dizer que a deslocação de fãs não é massiva, nem perto disso, sobretudo no Alentejo. Pode-se dizer que as provas têm contingências organizativas complicadas, que se percebem. Até se pode achar que a divulgação das etapas próximo do início da competição concentra atenções no tempo, facilitando o trabalho de divulgação. Mas, anunciar o perfil de uma prova importante como é a Volta ao Alentejo, a apenas quinze dias do seu início (aliás, como tem acontecido) não me parece um ponto positivo do ponto de vista do público em geral, nem sequer do local, porque até nas localidades de recepção da Volta ao Alentejo há, por vezes, forte desconhecimento.

Não nos podemos esquecer que cada concelho no Alentejo é tendencialmente muito extenso em área. Às vezes, as deslocações à sede do município implicam quase um plano de viagem. Porventura um exagero meu.

Bem, para quem não tiver informações de privilégio, e conhecer a dinâmica do ciclismo e da organização de etapas, na ciência da adivinhação que vale para todas as provas, deve-se salientar que os autarcas são, com frequência, gente vaidosa, pelo que, com antecedência às apresentações oficiais divulgam os feitos. Ainda no campo autárquico, como em todas as provas, as despesas a realizar com as competições, e demais situações legais, têm de ser aprovadas em reunião de câmara. Com alguma antecedência à prova, e com muita paciência (ajuda conhecer os municípios normalmente “amigos” do ciclismo), as atas das reuniões de câmara indicam-nos as etapas, por vezes, até de competições a realizar bem mais à frente na época, matando-se dois coelhos de uma cajadada só.

Conhecer os locais de partida e chegada com antecedência, como em qualquer outra actividade, ajuda o essencial público a decidir. Com tempo, a ideia da deslocação e da despesa (que podem não ser pequenas) vai entrando. Em cima da hora, quando muita oferta hoteleira já está ocupada pela caravana das provas (naturalmente!), e quando os preços aumentam (no Alentejo é frequente, o que até é um bom sinal para a prova e para o ciclismo) a ideia da deslocação esmorece.

Quando se quer uma Volta ao Alentejo maior, também será necessário um público mais abrangente. À semelhança do Algarve, não é, de todo, decisivo, mas ajuda.
Luís Gonçalves

1 comentário a “A TARDIA APRESENTAÇÃO DA VOLTA AO ALENTEJO”

  1. Concordo plenamente que o traçado da Alentejana ja devia estar apresentado à muito,mas a montra de luxo de equipas?

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