EXISTIRÁ INTERESSE INTERNACIONAL NA VOLTA A PORTUGAL?

Sobre o anúncio público da nova concessão da Volta a Portugal, e demais eventos desportivos integrados no programa, divulgando a intenção de contratar a um grupo mais vasto e não escolhendo de forma redutora o parceiro contratual, pergunta-se se, verdadeiramente, a federação portuguesa estará também na disposição de abrir portas a entidades organizadoras internacionais que tenham interesse na aquisição dos direitos da Volta a Portugal.

O modelo de contratação anunciado parece ser de carácter eminentemente nacional, apelando à defesa dos interesses do ciclismo interno, das equipas e dos ciclistas portugueses, do enquadramento histórico da Volta em Julho e Agosto, com vários dias de competição numa lógica do máximo possível de cobertura territorial e, num pormenor importante, a transmissão em directo na televisão, em sinal aberto.

Não é impossível, como se sabe, a transmissão simultânea de competições em canais diferentes do mesmo país, mas quando os interesses acabam por ser tão territoriais a convivência comercial podia ser complicada, e lesiva do produto. Quanto a etapas, provavelmente alguns autarcas não desejariam a perda da força das imagens para consumo interno (sobre as mais variadas formas) e, em contra partida, talvez outros adorassem a projecção externa.

Também não será de pôr de parte um regime híbrido em que uma entidade nacional contasse com o apoio de uma entidade internacional, algo que já aconteceu noutras modalidades. Enfim, com a abertura pública tão amplamente anunciada, também se podem abrir novas perspectivas e, embora o modelo de contrato seja essencialmente para consumo interno e não estejamos num país muito apelativo a investimentos internacionais, teremos que ter a mente aberta.

Mas, não passa tudo de especulação e opinião. Porventura no final ate só teremos um ou dois concorrentes e tudo permanecerá na mesma, não vindo mal nenhum ao mundo por isso.
Luís Gonçalves