A PAZ DO DEFESO

O defeso que, apesar de ser normalmente uma altura de intenso trabalho para ciclistas e principalmente para as equipas, não deixa de ser, todos os anos, na perspectiva dos adeptos, um período monótono, sem competição, por isso, com poucas intrigas e questões dignas de comentário.

Não fosse uma ou outra contratação ou mudança mais sonante e, nesse aspecto, por Portugal até nem temos andado mal, e seria o tédio completo.

Fora de portas, lá se continuam a entregar prémios a Peter Sagan, a Vélo D’or, da Vélo magazine, onde bateu por margem mais escassa Froome, vencedor no ano anterior, e por margem mais confortável Quintana.

O “caso” Bradley Wiggins e por inerência a Sky, continuam a alimentar algumas conversas, dando algum picante à modalidade que o britânico parece não querer deixar, anunciando sucessivamente o último ano de competição.

As lutas da UCI com os organizadores, bem destrutivas, são algo que, sobretudo por serem discussões, por ora, de carácter regulamentar, passam ao lado do fã comum da modalidade, tendencialmente pouco ou nada preocupado com regulamentos.

Neste campo regulamentar, talvez o assunto que prenda mais atenção seja o regressar dos travões de disco. A discussão é antiga, com opiniões para todos os gostos, com pressões das marcas, com cedências, talvez em demasia da UCI e, apesar de se anunciar o contrário publicamente, é curioso reparar que, quando existe uma sondagem, com voto secreto, aos ciclistas, estes, na sua grande maioria, são contra os travões de disco ou, pelo menos, contra a forma como os querem introduzir nas bicicletas.

Veremos o que o futuro nos reserva. Por enquanto, continuemos na aparente paz do defeso ansiosamente à espera do primeiro “queimar” de borracha.
Luís Gonçalves