Seria bom que, no ciclismo português, se começasse a aceitar a crítica e, valendo a pena, reflectir sobre ela

O universo do ciclismo português constitui um meio pequeno. A palavra pequeno não é usada na caracterização dos feitos e figuras da modalidade ao longo dos anos, que acabam por ser muitos e profícuos.

É pequeno por ser um meio que acaba por ser usualmente partilhado por poucos, tendo sido sempre uma característica do nosso ciclismo, no fundo, do ciclismo em geral.

Quem anda por aí com alguma frequência, acaba por, com relativa facilidade, mesmo sem ser reconhecido, reconhecer toda a gente, do btt, passando pela pista e acabando na estrada, até porque, na grande maioria dos casos, são personalidades com muitos anos de modalidade, uns melhores e outros piores, como em tudo na vida.

Neste âmbito, sempre notei que o ciclismo português tem tendência para lidar mal com a crítica, mesmo que seja, ou tente ser, sempre construtiva e desprovida de qualquer interesse pessoal. Há muitos anos que existe espírito crítico no futebol, por exemplo (basta ver o número excessivo de programas de comentário táctico e organizativo).

O ciclismo português, ao contrário do belga designadamente, não está habituado a isso, tanto fazendo ser a crítica táctica, como a organizativa. Mas o que é certo é que a crítica, sobretudo tendo bom fundo e boas intenções, não pode deixar de ser útil. Assim o penso e utilizo.

Quando se escreve, obviamente, não podemos, nem devemos escrever tudo o que nos vem à cabeça, porque é sempre muito mais e normalmente muito mais sensível, podendo por vezes soar ofensivo ou legalmente comprometedor, do que aquilo que transpomos para o papel ou ecrã.

Seria bom que, no ciclismo português, se começasse a aceitar a crítica e, valendo a pena, reflectir sobre ela. Ler os textos sem ideias pré concebidas, e percebê-los, é meio caminho andado.

Luís Gonçalves

1 comentário a “Seria bom que, no ciclismo português, se começasse a aceitar a crítica e, valendo a pena, reflectir sobre ela”

  1. Concordo completamente com esta noticia!

    Mas reparei que O Jornal Ciclismo de a uns tempos para ca mudou a sua estrutura certo? porque deixaram de escrever como um jornal e passaram a escrever como uma unica pessoa usando por vezes verbos na primeira pessoa do Singular.

    Sinceramente, e isto e uma critica construtiva, gostava muito mais do JC quando eram imparciais nas noticias que davam, mas que por vezes faziam algumas cronicas.

    Obrigado.

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