A propósito de Delmino Pereira : Estará o ciclismo profissional a definhar?

Delmino Pereira, atual presidente da FPC, vai iniciar a partir de setembro,  uma série de reuniões setoriais, com os diversos agentes da modalidade, no sentido de apresentar o seu programa eleitoral, receber sugestões, preparando, assim a sua recandidatura.

Em termos gerais e numa análise sucinta e linear ao seu mandato, prestes a expirar, poderemos considerar ter sido, ao longo dos ultimos anos, uma das direções mais profícuas, em termos de desenvolvimento desportivo, vector que, tendo em linha de conta os objetivos do organismo que lidera, é o mais importante.

Sabe-se que não terá tido um apoio incondicional de todos os agentes, coletivos ou individuais da modalidade mas, no horizonte do dirigismo velocipédico, muito dificilmente se descortina um nome capaz de conseguir os resultados alcançados, e que se ficam a dever, essencialmente, ao seu caráter  trabalhador, e que parte à busca do pequeno e do grande apoio.

Que o ciclismo necessita de uma mudança, disso ninguém duvida. Uma mudança que o catapulte para uma organização mais moderna, mais eficiente e que trabalhe em departamentos, com responsabilidades definidas e objetivos traçados para cada setor.

Departamentos que reunam verdadeiros experts em cada um dos setores, capazes de encontrar soluções que possam dimensionar os quadros competitivos de cada escalão, sem esquecer o redimensionamento do elevado  quadro técnico que envolve o trabalho das seleções.

No topo da hierarquia desportiva, o ciclismo profissional assume um papel fundamental no desenvolvimento da modalidade, afirmando-se como o elo mais importante. Por algumas razões, que sumariamente podemos apresentar: é a razão de ser de muitos jovens que praticam a modalidade e que, um dia esperam atingir este escalão, e a justificação da existência da formação. É o setor mais mediático em termos de informação e o de maior expressão nacional. É é  o setor que mais contribui para o equilibrio das finanças da FPC .

Estará o setor profissional mal enquadrado ?  A  Associação de Ciclismo do Minho, uma espécie de baluarte da modalidade em termos filosóficos, quer na apresentação de ideias, algumas com algum pragmatismo, disso é prova a sua  “teimosia” na obtenção política do policiamento gratuíto no setor da formação, dá sempre uma beliscadela no setor profissional, onde normalmente, passa em termos práticos um pouco ao lado.

Num press release em que informa os seus associados da reunião que irá ter com Delmino Pereira, tendo em vista a sua recandidatura escreveu:

“Argumentando que “vários indicadores têm vindo a evidenciar fragilidades do ciclismo profissional português, sendo notório o seu gradual definhamento”, a Direção da ACM considera que “a par de outros fatores, problemas ao nível da sustentabilidade do ciclismo profissional, das dificuldades das equipas e dos organizadores de provas desportivas, da precariedade no emprego e das perspetivas de carreira e de pós-carreira, entre outros, são problemas que não podem deixar de ser encarados”. Nesse sentido, a Direção da ACM exige que, “com a brevidade que a atual situação aconselha, seja promovida uma reflexão que diagnostique mas, fundamentalmente, aponte soluções e caminhos e estabeleça situações de compromisso entre os intervenientes, promovendo-se a realização de reuniões sectoriais e conjuntas com todos os agentes do ciclismo profissional”.

Sobre este parágrafo, confessamos que não gostamos do termo definhamento , e por algumas razões que apresentamos:

Num setor em que existem maior numero de equipas que no escalão inferior, não se pode considerar que esteja a definhar.

Num setor que, por si só, contribui com cerca de 300 mil euros para as finanças da FPC, não se pode considerar que esteja a definhar.

Num setor que tem algumas dificuldades em termos de calendário é, mesmo assim, o mais rico de todos os escalões.

Num setor que obriga os seus filiados coletivos a uma série de procedimentos, que dignificam o profissionalismo desportivo em Portugal, não se pode concluir que esteja a definhar .

O que tem definhado o ciclismo profissional é a ausência de um departamento de ciclismo profissional, que estude, trabalhe e aponte soluções .  Soluções que passam, essencialmente por um calendário mais alargado, com provas por etapas em setembro, por exemplo.

Soluções que passem por valorizar as equipas nacionais e os seus ciclistas, aqueles que correm em Portugal, e não as equipas internacionais e apenas os ciclistas que correm no estrangeiro.

Soluções que passem por uma preocupação em valorizar o conceito e o produto Volta a Portugal.

São coisas simples, mas que o “aparelho” nunca quis alterar. Porquê ?

Nota:  não concordamos com  a  “realização de reuniões sectoriais e conjuntas com todos os agentes do ciclismo profissional”, por concluirmos que, após estas reuniões, os assuntos irão ser dissecados por amadores.

JS