Route du Sud : Eurosport deu nova vida à prova

A Route du Sud é uma prova com um pequeno gabarito, em comparação com as grandes provas francesas, e vive um pouco à sombra da ASO , por isso a presença de Christian Prudhomme e sem o qual muito dificilmente sairia para a estrada este ano.

Catalogada como 2.1 subiu de grande cotação,um pouco pela transmissão direta na Eurosport, o que atraiu as grandes equipas internacionais, numa altura em que sofre a concorrência de provas importantes como o Dauphiné e a Volta à Suíça. Atrair um nome sonante é obrigatório e a escolha este ano foi da Movistar, que continua fiel aos seus pergaminhos conservadores, de participação em pequenas provas, para preparar os grandes monumentos do ciclismo. Foi assim no passado, é assim no presente.

Christian Prudhomme, a personagem mais influente do ciclismo mundial.
Christian Prudhomme, a personagem mais influente do ciclismo mundial.

A França,como nação berço da modalidade, tem um carinho muito especial por parte do publico, para com os ciclistas e diretores. Um publico extremamente conhecedor, delicado, mas extremamente envelhecido. Poucos jovens , em contraste com o chamado publico alvo, a grande maioria acima dos sessenta anos de idade. Apesar de existir, nesta zona sul do país um certo afastamento do publico pelos eventos de ciclismo, na Route du Sud, ou melhor, a região dos Pirinéus é uma zona de ciclismo,por força do turismo em bicicleta, que lhe proporciona importantes retornos económicos, pelo que o ciclismo goza de grande popularidade.

Ao longo da prova, ficamos impressionados pela meticulosidade da organização, em termos de segurança, 20 motos da gendarmerie nationale, 39 motos bandeiras amarelas, e uma série de voluntários em todos os cruzamentos. Reparamos que uma grande parte do percurso foi feito em estradas departamentais, estreitas, mas sem buracos e sem carros estacionados, o que dava grande segurança a ciclistas e a toda a caravana.

O que impressiona nas provas francesas é a quantidade de público que aparece nas partidas, que não fica a dever nada ao das chegadas.  No nosso país, nas partidas de qualquer prova o público é pouco, aqui é um corro pio de pessoas para tirar fotos, para estar de perto com este ou aquele ciclista, para tirar uma foto seja com quem for.

A assinatura do livro do ponto é seguida por um público atento, numa formação permanente do maior speaker do mundo, Daniel Mangeas, que acompanha a ASO há mais de trinta anos.

A simplicidade organizativa da prova é por demais evidente, em comparação com a realidade nacional, mas nada falha, com uma panóplia de 200 elementos que asseguram ao longo da competição, os apoios necessários à organização de forma benévola. Para apoiar todos estes elementos, é montada diariamente uma tenda de grandes dimensões onde  é servido um catering , e serve também de  aproximação das pessoas.

O organizador, Pierre Caubin, sempre atento  ao longo da prova, tem canal aberto para transmitir os agradecimentos, a lista de convidados e informações pertinentes, o que é bem diferente se feito pelo elemento da rádio informação.

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Mas o que mais impressionou foi a festa proporcionada na ultima etapa, com partida e chegada de uma pequena localidade pirenaica de 150 habitantes, Clermont Pigouillés , onde foi disputado um circuito de 19 kms, percorrida oito vezes pelos ciclistas, num percurso totalmente fechado ao trânsito. A pequena comuna recebeu em ambiente de festa os cerca de dois milhares de visitantes, onde não faltaram as tendas dos artesãos locais, bares ambulantes , isto para não falar o cuidado posto dos habitantes locais que receberam a prova num autêntico clima de festa, com bicicletas penduradas nos postes, balões e todo o tipo de ornamentos utilizados nas festas.

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Pequena prova, a Route du Sud tem a particularidade de possuir uma caravana publicitária de perto de 100 viaturas, que parte à frente da corrida, devidamente protegida distribuindo presentes e simpatia. Réplicas de carros da caravana dos Tours dos anos 30 e 40 chamaram a atenção.

Se  a simpatia do publico francês é notória, de realçar a pouca simpatia da grande maioria dos ciclistas franceses para com portugueses e espanhóis, da Caja Rural, diga-se. Queixas lá as terão Ricardo Ferreira, quando foi empurrado para a berma por um ciclista da FDJ, quando estava integrado na fuga do dia da etapa do Tourmalet e o britânico da Caja Rural que perdeu o terceiro lugar da geral individual, na ultima etapa, quando foi empurrado por um francês da Direct Energia a 4 kms da linha de chegada.

J.Santos

 

2 comentários a “Route du Sud : Eurosport deu nova vida à prova”

  1. Sem dúvida que a força da televisão é importante quer para atrair equipas/corredores quer para atrair novos adeptos, turistas, etc. É por isso que faz falta a transmissão em direto da Volta ao Algarve e, na Volta a Portugal, na minha opinião, a nível de transmissão televisiva tem que ser mais atrativa apesar da boa realização. Este ano já vamos ter a novidade da terra batida em Fafe. Mas o genérico da Volta Portugal é praticamente o mesmo há muitos anos. Se analisarmos as fotos do genérico com atenção, se calhar vamos ver equipas que já não estão na estrada. Ir ao encontro dos espetadores que estão na estrada. Se não há aquele “espetáculo” organizado como surge nas estradas francesas, podem sempre criar uma hastag para os espetadores partilharem fotos e porem no ar as mais engraçadas/bonitas. Promover mais as terras por onde passam a Volta com curiosidades e com vídeos turísticas apesar do heli fazer um excelente trabalho. Etc. A transmissão televisiva não deve ser vista como uma despesas mas como um investimento e o telespetador tem que estar entretido durante as horas de emissão.

  2. Para mim, o que fez sem dúvida ressuscitar esta prova foi o Quintana e Contador, e não a transmissão do Eurosport. Parabéns a nossa equipa portuguesa, portou-se muito bem! Força Portugal! Viva ao ciclismo! E parabéns Ricardo Vilela.

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