O CAMINHO DO XCO PARA OS JOGOS OLÍMPICOS

 

Ao classificar-se no 11º lugar do ranking de apuramento olímpico, Portugal consegue, pela primeira vez, o apuramento de dois atletas para a prova de xco, nos Jogos do Rio.

A notícia é obviamente boa e, com alguma evidência, fruto da forma diferente como o btt, essencialmente na vertente olímpica, passou a ser reconhecido pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Em bom rigor, apesar de ser anunciado como o segundo apuramento olímpico nesta vertente do ciclismo, teremos que dizer que, para além da participação de David Rosa em Londres 2012, já em Atenas 2004, poderíamos ter tido um atleta a competir nos Jogos. Mas, a estrutura federativa de então, comandada por Artur Lopes, fundamentando à sua maneira, assim não o entendeu.

Como é visível, com o passar do tempo, as ideias foram mudando e, apoiadas numa boa e crescente base de atletas federados no btt, a quem convém agradar, a Federação foi trilhando um caminho que se pode dizer de alguma responsabilidade no sucesso.

Não podemos contudo, neste caminho, esquecer o trabalho das equipas, dos atletas e até das Associações de Ciclismo que se esforçam por ter calendários competitivos e aplicados a vários escalões de formação. Aliás, quem conhece o meio, sabe bem que a maior parte deste sucesso se deve, essencialmente, e ao longo de vários anos, à persistência de equipas e atletas, mesmo que por vezes votados ao abandono.

Quanto aos actuais pré-seleccionados (David Rosa; Tiago Ferreira; Ricardo Marinheiro e Mário Costa), se a escolha de David Rosa para uma das vagas parece óbvia, tanto pela experiência, como pela regularidade que demonstra em provas deste nível (no xco), em relação aos outros existirão mais dúvidas na cabeça do seleccionador e até na dos adeptos que acompanham de mais perto esta vertente.

Certo é que, como na vida, há épocas que correm melhor e outras que correm pior e, um destes atletas, não tem tido tanto destaque este ano. Também o circuito escolhido, pelo que nos é dado a conhecer, tem características muito próprias, pelo que também será tido em linha de conta na escolha dos atletas. Resumindo, poderíamos dar aqui várias variantes para a escolha, tornado-se um exercício fastidioso, meramente opinativo e porventura inútil.

Deixemos tal tarefa aos seleccionadores, sendo nomeadamente para isso que lhes pagam.
Luís Gonçalves