VLADIMIR EFIMKIN E A ETAPA RAINHA DA VOLTA

 

Volta a Portugal, 7 de Agosto de 2005. Numa etapa que ligava a Lousã ao Fundão, na distância de 156 Km, com passagem pela Torre, um corajoso ciclista, com uma boa dose de loucura, lança-se na busca pela vitória de etapa, ainda bastante longe do risco de meta.

Sob a placidez do pelotão e dos principais favoritos à vitória final na Volta, Vladimir Efimkin, na altura com 24 anos, mais conhecido por alguns como “Vladimiro”, foi somando minutos atrás de minutos. Tantos minutos que, mesmo após iniciada forte perseguição, cortou a meta isolado com uma vantagem que apesar de ter sido reduzida pela perseguição, foi de tal forma confortável que se sagrou vencedor da Volta a Portugal 2005.

Estávamos apenas à terceira etapa e, apesar da benevolência do pelotão português nesse dia, sobretudo por parte das equipas mais interessadas, a vitória final chegou mas, deve dizer-se que, foi suada. A luta movida sobretudo por Cândido Barbosa foi feroz e diária, mas revelou-se insuficiente. No final, em Viseu, Efimkin tornou-se o primeiro (e único) russo a ganhar a Volta a Portugal, com 34 segundos de vantagem sobre Cândido Barbosa.

Contam-se algumas estórias dessa Volta, espécies de “mitos urbanos” envolvendo Alexander Efimkin, irmão gémeo do vencedor. Mas certo é que provavelmente não deveria ter sido deixada tanta margem de manobra, bem evidente, nas declarações que Cândido Barbosa tem no seu livro, recordando esse dia sete de Agosto: “Pensei, esteve em grande, apostou forte e foi bem sucedido. Tem uma jornada de glória, mas esta não é a sua guerra!”. Puro engano.

E porquê recordar este dia? a ligação de Belmonte à Guarda, na próxima Volta, tem algumas características desta terceira etapa de 2005. Enfim, está bem mais para a frente na competição, depois da Sra da Graça, quando os candidatos estão mais definidos e conhecidos, gerando menos surpresas, tem mais montanha e em circunstâncias diferentes, mas, no fundo, não deixa de ter algumas semelhanças.

E, neste perfil, nunca se sabe quando é que um Efimkin qualquer se lança audazmente, e de novo com a benevolência do pelotão português, arrebata a vitória.

Obviamente, que nessa fase da prova poderá já não ser um desconhecido qualquer que parte à aventura, e é preciso, de facto, uma boa dose de coragem. A mesma coragem, ou loucura, que deu uma Volta à Espanha ao Contador (e mais referenciado no pelotão não há!), quando toda a gente pensava que, finalmente, a vitória já não escaparia ao Rodriguez.

Certo é que, mesmo que perdesse, essa atitude de Alberto Contador, seria sempre recordada. É o que distingue os bons ciclistas dos razoáveis e os vencedores dos outros.
Luís Gonçalves