O CICLISMO E A TELEVISÃO

Nas palavras de Christian Prudhomme, director do Tour, “os jornais criaram o Tour, a rádio popularizou-o, a televisão tornou-o rico.

É um facto. Mas a este dado também não é alheio o interesse comercial crescente, das televisões, nas transmissões de ciclismo e, se há transmissões, é porque o produto vende não podendo ser assim tão pouco.

Atrevo-me a dizer que o ciclismo, em mais de cem anos de história, nunca vendeu tanto.

Se hoje em dia o fenómeno desportivo vive bastante da televisão, em bom rigor, também teremos que considerar que a televisão teve a sua grande rampa de lançamento no desporto.

Grande parte das imagens da cultura popular televisiva inicial são, precisamente, de eventos desportivos, onde teremos que colocar na dianteira os Jogos Olímpicos de 1936 e os feitos de Jesse Owens.

Os primeiros grandes eventos transmitidos em directo foram desportivos (ao que parece, um jogo de basebol da liga americana).

Também o ciclismo, desde cedo, não passa ao lado das imagens televisivas. Desde os anos 30, em imagens rudimentares da passagem do Col d’Aubisque, passando, em 1948, pela primeira transmissão em directo, numa chegada ao Parque dos Princípes, em Paris, aos dias de hoje, onde, em alguns países, podemos escolher o canal em que queremos ver a transmissão. E se há vários canais interessados, é porque há audiência.

Na Bélgica, antes das clássicas, nomeadamente o Tour de Flandres, uma semana antes e uma semana depois da competição, em programas de grande audiência, há antevisões, comentários, análises, expectativas, desilusões, só assim se percebendo (porque às vezes é difícil para nós, portugueses, perceber-mos isso) a pressão a que as equipas belgas e os ciclistas belgas estão sujeitos.

Os países emergentes, têm usado o ciclismo e as transmissões em grande escala, para publicitar o seu património ou apenas para nós sabermos que aquilo que, por exemplo, era um republica soviética ou um estado da ex-Jugoslávia, está agora de braços abertos para receber turistas.

Ou seja, é verdade que o ciclismo, como outros desportos, precisa da televisão. Mas também não é menos verdade que a televisão também precisa do ciclismo. De outra forma, não se justificava o visível aumento de horas de ciclismo em várias redes televisivas do mundo, com os níveis de audiência que têm sido registados e até algumas pequenas (ou grandes) guerras de colocação do produto no mercado.
Luís Gonçalves