A IMPORTÂNCIA DE UM SPEAKER NO CICLISMO

Neto Gome, quem não e lembra dele ?
Neto Gome, quem não e lembra dele ?
“Palminhas, palminhas, palminhas, palminhas (…)”. Uma boa parte do público do ciclismo, de algumas gerações, cresceu e viveu, a ouvir Neto Gomes animar o público com as suas famosas repetições e associações ao prémio da montanha (subiu, subiu, subiu…) e a todas as outras classificações. Bem, dizia-se que para os ciclistas que faziam a Volta, já era criada uma imunidade a esta algazarra, mas o público, esse, adorava e, no fundo, é o que interessa a um speaker.

Os speakers, embora sejam muitas vezes desconsiderados, assumem uma importância cada vez maior no desporto. No ciclismo, a relevância que têm é essencial. Tão essencial, que são uma das condições impostas no caderno de encargos do organizador de uma prova.

Para além do carácter animador, assumem cada vez mais uma posição informativa, sobretudo nas zonas de partida. Numa modalidade aberta, que conta com a presença de muita gente que não a acompanha ao vivo com frequência, a informação do speaker sobre o nome do ciclista, a sua equipa, a etapa, ou qualquer outro pormenor, tem o condão de imediatamente aproximar do ciclismo até os mais desatentos.

Nas chegadas, já se sabe, é preciso entreter o público durante a espera, aqui, sobretudo, com pormenores sobre o desenrolar da etapa, uma ou outra piada, dependendo do speaker e, com o aproximar do final de etapa, ir criando alguma tensão (“faltam 5 Km, faltam 3 Km…”) até ao momento da chegada dos corredores.

O pódio é o momento alto dos speakers. Aqui dá para quase tudo… até para chover espumante em dias de sol. De sol, ou de outros, porque não chove espumante com frequência!

Falei de Neto Gomes, pelo seu estilo e longevidade, com toda a certeza o mais conhecido e carismático, mas não posso deixar de referir pelo menos dois que têm actualmente, de certa forma, repartido as corridas: Teixeira Correia, figura característica do ciclismo português e, mais recentemente, Ângelo Pedrosa. Estilos diferentes, mas na mesma linha dos grandes animadores do ciclismo.

Sim, porque isto de ser bom speaker, também não é para qualquer um.
Agora que se aproxima a Volta ao Alentejo, imagine-se o que era a pacatez das localidades alentejanas, sem um speaker… aqui fica a minha homenagem.
Luís Gonçalves