OS “GRANDES” CLUBES NO CICLISMO

Imagine-se o ciclismo espanhol com o Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid e Valência. Ou o ciclismo italiano com a Juventus, o Inter, o Milan e o Nápoles. Esta é porém uma realidade difícil de imaginar fora de Portugal. A presença dos grandes clubes, normalmente associados ao futebol, é uma marca distintiva e exclusiva do ciclismo português. Lá por fora os exemplos são raros pelo que, de repente, só me lembro de equipas do Lokomotiv de Moscovo e de uma curta passagem do Barcelona por escalões de formação.

Apesar deste panorama internacional, em Portugal, até a rivalidade entre o Benfica e o Sporting parece ter o seu embrião no ciclismo, patrocinada nos anos 30 do século passado pelos inesquecíveis duelos entre José Maria Nicolau e Alfredo Trindade. Também o FC Porto que em anos mais distantes poucos sucessos tinha no futebol, usava o ciclismo, onde ia conquistando inúmeras vitórias para, já na altura, enfrentar o poder centralista.

Diz a história que o duelo Nicloau-Trindade foi um marco no desporto nacional.
Diz a história que o duelo Nicloau-Trindade foi um marco no desporto nacional.

Ora, falando-se de um eminente regresso do Benfica à modalidade, para os mais sonhadores já este ano, para a maioria, independentemente de se juntar a uma estrutura já existente ou com projecto de raíz, para a próxima época, voltamos a uma frutuosa realidade que não conhecíamos há mais de trinta anos, com a presença simultânea dos mais representativos clubes portugueses.

Se a essa conjuntura, juntar-mos o Boavista (para todos os efeitos, em títulos, o quarto maior clube português) viveremos no ciclismo português algo único em mais de cem anos de história da modalidade.

Com estes clubes presentes em simultâneo, para os mais convictos adeptos de cada um deles seria a oportunidade de ajustar, no bom sentido da expressão, contas antigas. É sabido que nas contas dos sucessos, designadamente em vitórias na Volta a Portugal, que serão sempre o maior barómetro, o FC Porto tem uma vantagem confortável, perante os mais directos perseguidores. Convém no entanto referir que, no plano internacional, teremos que dar destaque à participação do Sporting na Volta a França de 1984, com uma vitória de etapa por intermédio de Paulo Ferreira, momento até agora único para uma equipa portuguesa. Também neste plano, não é de desprezar a vitória colectiva do Boavista na Volta a França do Futuro de 2003, momento também singular no ciclismo português.

dias dos santos

No campo das curiosidades, é de salientar que, ao longo de 77 edições da Volta a Portugal, e de muitos organizadores, pode-se dizer que o Benfica tem no palmarés, algo que nenhum dos outros tem, já que, em 1947, para além de participante foi também organizador da Volta. Com a organização do Benfica, o vencedor foi José Martins do Benfica, sendo que em segundo e terceiro, também se classificaram ciclistas do Benfica, e a vitória por equipas também pertenceu ao… Benfica! Estranho?! Não. Embora sem a sua organização, esta façanha foi repetida uma vez pelo FC Porto em 1949, quando ganhou Dias dos Santos, mais uma vez pelo Benfica (naturalmente, com outro organizador!), quando ganhou Fernando Mendes em 1974 e, mais recentemente pela equipa da Maia, no ano da vitória de Claus Moller (2002).

agsotinhoQuanto aos ciclistas mais reconhecidos destas equipas, à queima-roupa, são fáceis de destacar os duelos dos já mencionados Trindade e Nicolau (Sporting-Benfica), as vitórias de Marco Chagas pelo FC Porto e Sporting, as vitórias seguidas de Cássio Freitas e Joaquim Gomes pelo Boavista e, claro, a incontornável figura de Joaquim Agostinho que, praticamente, só conseguimos imaginar vestido com as cores do Sporting, ou de camisola amarela. São muitos os que com brio envergaram estas camisolas pelo que, ao nomear estes, até estarei a ser injusto com todos os outros, algo que me desagrada. Mas enfim, com simplicidade, teria que distinguir alguns. Aguardo por mais, para os poder nomear daqui a uns anos.

Luís Gonçalves

1 comentário a “OS “GRANDES” CLUBES NO CICLISMO”

  1. É pá deixem o ciclismo descansado , na verdade não precisa dos clubes de futebol … então o desporto em Portugal é resumido a 3 clubes que queimam tudo , a dozes massiças ,de painéis televisivos a falar de futebol até a exaustão e ao negócio das escolinhas que fazem das crianças mercadoria … por amor de Deus , deixem o Ciclismo em paz

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