Gerrans, Dayer e Petit nas bocas do mundo – Tiago e André com os melhores

Uma primeira ronda internacional, quase a nível global, veio demonstrar que os dados, embora lançados, não que estejam viciados, mas parecem, por mais voltas que se lhe deem os resultados pouco alteraram em relação ao ano transato.

orica1

Na Austrália, mandaram os homens do reino dos cangurus, como que parafraseando todos aqueles que dizem que, na Volta a Portugal mandam os portugueses. Os resultados não podem ser outros, pois os australianos têm um início de época bem mais atrativo e de maior responsabilidade, que os restantes ciclistas mundiais. Primeiro porque gozam de um clima propício a um melhor treinamento, segundo porque os seus campeonatos nacionais são disputados nesta altura do ano, bem como a sua prova mais importante, o que os obriga a uma maior aceleração, na sua preparação. Não nos esqueçamos, porém, que os australianos, apesar de serem uma das famílias velocipédicas mais recentes, beneficiam de uma escola altamente técnica e cientifica dos seus treinadores, que têm ao seu dispor uma mão de obra de grande qualidade, em especial neste tipo de terrenos, onde a alta montanha praticamente não existe.

Portanto, talvez por todos estes motivos os australianos dominaram o Tour Down under a seu bel prazer. Venceram todas as etapas , dominaram a geral individual, e Simon Gerrans parece ter deixado para trás a série de quedas que tanto o prejudicaram em 2015. O ex-boavisteiro venceu pela quarta vez a prova mais importante do seu país, triunfo obtido à custa das bonificações, fundamentais numa prova deste tipo, sem C/R e sem etapas de alta montanha..

Outro nome que deu nas vistas, aliás terá confirmado o seu valor, é o jovem e pequeno sprinter Caleb Ewan, vencedor da primeira e ultima etapa da prova, disputada hoje num circuito urbano em Adelaide, presenciado por 97 mil pessoas.

Mudando de equipa, sem perder qualidade, Richie Porte esteve ao seu nível, venceu mais uma vez a etapa rainha da prova, e foi o principal opositor de Gerrans, o que quer dizer que o seu lugar de chefe de fila na BMC, foi acolhido com grande entusiasmo.

EM S.LUIS DOMINARAM OS COLOMBIANOS

E da solarenga Austrália voltemos para o sul da América, para os 35 graus com que os ciclistas se depararam na maioria das etapas do Tour de S.Luis. O ano passado aqui surgiu o nome de Fernando Gaviria, que este ano venceu uma etapa, e talvez vencesse mais, não fosse vitima de queda na quinta etapa. Revelação, melhor dizendo confirmação, foi a do colombiano Miguel Angel Lopez que, com 21 anos confirmou as suas reais capacidades na alta montanha.

dayer

Não houveram, como aconteceu no ano passado, resultados anormais, com ciclistas de segundo plano a vexarem nomes de topo da modalidade. Este ano, os resultados foram normais, com os colombianos e demonstrarem na alta montanha que são os melhores . Primeiro, foi a intromissão do argentino Eduardo Sepulveda, mas depois os irmãos Quintana estiveram ao seu nível com Dayer a surpreender e a mostrar que não foi por favor nem por influência do irmão que integrou a melhor equipa do mundo.

AFRICANOS EM BOM NÍVEL

Em África, com um pelotão bem mais modesto, e muito heterógeneo, os europeus acabaram por levar a melhor, constituindo uma surpresa a prestação de Adrien Petit, levantando mais uma vez a maldição chamada Cofidis. Na verdade, a equipa francesa ou não tem sabido aproveitar as capacidades dos seus ciclistas, veja-se o caso Taraamae o ano passado, ou não tem muita capacidade para os gerir . Petit venceu três etapas, foi o grande dominador da prova, e não será exagero colocar-se desde já a possibilidade de, regressado à velhinha Europa, pedir meças a Bouhanni e companhia.

OkubamariamTesfom
OkubamariamTesfom

Mas não foi só Petit que deu nas vistas. A equipa asiática da SkyDive-Dubai com Andrea Palini esteve muito bem, confirmando que as suas contratações demonstraram que a equipa se pode bater de igual para igual com muitas formações continentais profissionais e levar a melhor.

Mas o que ficou da Tropicale Amissa Bongo ? Muito em termos de futuro. A prova gabonesa tem vindo a revelar uma crescente valorização dos ciclistas africanos, para onde se deslocaram importantes meios humanos:
Abraham Olano é o responsável da seleção gabonesa.
Jonathan Boyer responsável da seleção do Rwanda.
Andreas Petermann, alemão e diretor técnico da seleção de Marrocos.
Michel Thèze, diretor técnico da Algéria.
Os eritreus, gaboneses e rwandeses já não ficam nas covas quando os europeus atacam, e dotados de meios técnicos semelhantes têm vindo a subir de nível, a competir na Europa, e a integrarem projetos cada vez mais ambiciosos, de pessoas também elas ambiciosas, na ansia de descobrirem novos talentos .

Sdil Jelloul, o marroquino da Skydive, o eritreu OkubamariamTesfom que foi líder , baqueando no C/R, demonstraram que o continente africano poderá sero futuro manancial de aprovisionamento das equipas europeias.

PORTUGUESES EM DESTAQUE

No somatório das três provas, outros tantos portugueses estiveram em competição. Bastante complicada em termos de resultados, a tarefa para Tiago Machado era difícil no Tour Down Under. Primeiro pelo nível da prova, é World Tour, segundo pelo elevado nível dos ciclistas australianos, e eram muitos e bons a discutirem entre si . Teve um azar na terceira etapa, quando perdeu 22 segundos por força de uma queda, e isto acaba sempre por ter influência.

Mas Tiago acabou por estar bem, dando boas referências para o Algarve, e o mais importante para o resto da temporada. Já Nelson Oliveira teve como objetivo aproveitar o clima australiano, rodar e esperar por melhores dias. As clássicas aproximam-se e é lá que o bairradino deverá apostar, em termos de futuro.

Por seu turno,  André Cardoso esteve bem, numa prova em que teve tudo a seu favor: bom tempo, excelentes etapas montanhosas, demonstrando que há que contar sempre com ele, quando os percursos são duros e montanhosos. Temos, pois, que os três portugueses estiveram bem, entusiasmando os adeptos da modalidade.

Esperemos agora pelo regresso do pelotão às tradicionais e sempre emocionantes provas europeias.