C/R por equipas estraga corridas de um dia

O Prémio Abimota, a clássica de Albergaria e o recém chegado Prémio Cidade de Viana do Castelo apresentam um figurino idêntico, mas algo desconcertante. Na verdade, louve-se o esforço dos seus organizadores em conseguirem colocar de pé estas provas, que conseguem de alguma forma assegurar o calendário nacional de longos hiatos, porém o figurino que se apresenta é de alguma forma controverso.

Transformar uma prova de um dia, ou com apenas uma etapa em linha, numa prova por etapas é positivo, o que torna a situação dificil de entender é o seu figurino. Ou seja, colocar um prólogo por equipas a pontuar para a geral individual é de alguma forma condicionar a prova rainha, ou seja a etapa em linha. Um C/R por equipas pode-se aceitar contar para a geral individual, quando o tempo conquistado pelos ciclistas da equipa vencedora se dilui ao longo de algumas etapas, de forma a separar o bloco de ciclistas que fica a comandar a geral individual. Com apenas uma etapa, a equipa vencedora terá praticamente a grande maioria dos seus ciclistas com vantagem sobre os restantes, bastando que um deles, por exemplo, integre qualquer fuga para levar vantagem sobre os restantes, ou ficar num lugar subalterno no final da etapa em linha, mas sem perder tempo para ganhar a prova.

Quem organiza manda, mas nestas circunstâncias, o chamado prólogo deveria contar, apenas para a geral coletiva, colocando todos os ciclistas em igualdade de circunstâncias na etapa em linha,  isto na defesa da verdade desportiva e proteção de bons ciclistas que, podendo integrar equipas mais fracas ficam logo arredados de disputar a geral individual.

Prólogo por equipas a contar para a geral individual, será assertivo numa prova com pelo menos cinco dias de duração, para que o tempo ganho pelas melhores equipas  seja proporcional aquilo que as mais fracas podem vir a recuperar, nas etapas seguintes, à custa de montanhas, bonificações, C/R individuais ou outras dificuldades pelo meio.

 

 

4 comentários a “C/R por equipas estraga corridas de um dia”

  1. Contrariamente à opiniao do sr Paulo Sousa, eu acho que as críticas construtivas são sempre bem vindas, e no artigo, o esforço dos organizadores está reconhecido, se forem inteligentes aprendem com as criticas e evoluem, se forem pessoas que melindram com qualquer coisita, temos pena, é que quando se organiza algo ou se organiza bem ou mais vale estar quieto. Eu nunca tinha pensado nesta situação e se fosse eu o organizador, aceitava a critica e fazia dela uma sugestão para que no próximo ano a prova tivesse mais emoção, afinal de contas isso é o mais importante.

  2. Ainda no final do ano passado falava-se que as equipas portugueses não tinham a experiência em prólogos por equipas, agora já se critica os prólogos por equipas, não entendo, haver provas com 2 dias já é muito bom no contexto atual.

  3. Com artigos como este os promotores dos eventos (que como é reconhecido no texto é com muito esforço que colocam a prova na estrada) ainda ficam mais desmoralizados, já não basta todos os custos associados ao evento serem consideravelmente mais altos, os apoios mais escassos e publicamente ainda por cima haverem criticas como esta, enfim…

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