Crise atinge pelotão nacional

O pelotão português está a ser fustigado pela crise generalizada que atinge a economia mundial. Em virtude das dificuldades orçamentais, não é de excluir uma nova onda de desemprego na modalidade. A quebra de investimento entre 2007 e 2008 é notória. Além do provável desaparecimento de equipas – Benfica e CC Loulé -, as contratações dos restantes colectivos estão a ser escassas e apontando para corredores tendencialmente baratos.

No começo de Novembro de 2007, o Jornal Ciclismo recenseava 32 contratações efectuadas pelas então oito equipas profissionais. Um ano depois o panorama é desolador: só estão confirmadas sete mudanças de equipa, sendo quatro delas a promoção de sub-23 ao primeiro ano de profissionalismo. Por outro lado, olhando aos novos recrutamentos e às renovações de contratos o pelotão profissional português tem, neste momento, 43 ciclistas com vínculo para 2009, dos quais 32 são profissionais portugueses.

No que respeita ao elenco de equipas, é provável a saída de cena do Benfica e do CC Loulé, estando o Paredes com dificuldades para encontrar substituto para a Fercase, embora o seu director-desportivo, Mário Rocha, assegure a manutenção do projecto da Rota dos Móveis, com ou sem parceiro que dê maior folga orçamental.

A continuidade está assegurada por parte da Barbot-Siper, da Liberty Seguros, da Madeinox-Boavista e da Palmeiras Resort-Tavira, que contará com um segundo patrocinador. Está também anunciada a estreia no pelotão profissional do Cartaxo-Capital do Vinho, mas ainda não se conhece qualquer contratação deste colectivo que será dirigido por Renato Silva.

Com um mercado em retracção, são já oito as saídas para o estrangeiro de ciclistas que em 2008 competiram em Portugal. O caso mais importante é o de Rui Costa, que assinou pela vencedora do ProTour, Caisse d’Epargne. Mas irão abalar também, pelo menos, Ángel Vicioso, Xavier Tondo, Pablo Urtasun, Francisco Mancebo, Danail Petrov, Jacek Morajko e Paul Sneeboer.

Quadro com as contratações, entradas, saídas e renovações das equipas portuguesas e quadro com mais de duas centenas de transferências no pelotão internacional podem ser encontrados na edição 33 do Jornal Ciclismo, onde Paulo Couto, presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, dá uma entrevista comentando o momento de crise actual. A edição 33 do Jornal Ciclismo está nas bancas no dia 7 de Novembro.