Volta a França 2009: Vida dura a de trepador

A 96ª edição da Volta a França (4 a 26 de Julho de 2009) surpreende pelo traçado, provando mais uma vez que as aparências iludem. A grande novidade reside no facto de as decisões deixarem de estar marcadas para um contra-relógio, pois este foi substituído na penúltima etapa por uma chegada em alto. E que chegada! Na véspera da jornada de consagração, os ciclistas confrontam-se com um final de etapa no Mont Ventoux.
Visto assim, poderia pensar-se que os trepadores estão em vantagem. Mas não é bem assim. As chegadas em alto são apenas três: Andorra Arcalis, na sétima etapa, Verbier, na 15ª tirada, e o já referido Mont Ventoux. Sendo certo que os desafios montanhosos não se resumem a estas chegadas em altitude, o certo é que se encontram dispersos por diferentes etapas, tantas vezes longe da meta, permitindo a recuperação aos corredores menos dotados para brilhar nas escaladas.
A chave do sucesso na corrida gaulesa estará num triângulo de características. Quem pretender chegar de amarelo aos Campos Elísios deve ser um excelente contra-relogista, ter uma equipa forte e saber defender-se nas subidas. É verdade que os contra-relógios individuais somam apenas 55 quilómetros, mas devem somar-se 38 quilómetros de “crono” por equipas.
Outro dado a ter em conta é que a montanha chega apenas depois de disputados os 15 quilómetros do prólogo e os 38 do exercício colectivo. Ou seja, a pressão está do lado dos trepadores, que chegarão ao seu terreno de eleição com atraso para recuperar. Deste modo, um bom contra-relogista num estado de forma soberbo tem todas as condições para ir gerindo a corrida, até ao contra-relógio de 40 quilómetros da 18ª etapa. Aí é tempo de estender a renda, de modo a não haver grandes surpresas no colosso Ventoux.
Ao longo das 21 etapas, irão ser percorridos cerca de 3500 quilómetros, numa aventura que começa no principado do Mónaco e que termina, como manda a tradição, no coração da capital francesa. De permeio, a caravana fará incursões a territórios internacionais, com passagens pela Catalunha, Andorra, Suíça e Itália.

Tabela analítica com perfil das etapas de montanha disponível na edição 33 do Jornal Ciclismo, nas bancas a 7 de Novembro

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