Joaquim Agostinho : em jeito de rescaldo

Sabendo esperar pelo momento certo, ou seja pelas grandes dificuldades do Prémio Joaquim Agostinho, Ricardo Mestre demonstrou que, sem muito para provar, que é o melhor ciclista a correr em Portugal, isto entre portugueses e estrangeiros que por cá correm.

Esta foi a principal ilação do Prémio Joaquim Agostinho que agora findou, e que demonstrou de forma soberana que, as equipas portuguesas, afinal, se podem bater com algumas das melhores do seu escalão e levar a melhor.

A equipa inglesa da Endura Racing é uma das melhores formações da Europa, no escalão Continental UCI, vencendo provas de grande prestigio, como a Volta ao Mediterrâneo e discutindo outras com grande nível, como a Volta a Murcia, e não foi fácil para os ingleses lutarem em Portugal pelo triunfo.

Não conseguiram nos momentos decisivos da corrida, acompanhar os melhores e controlar a corrida, sinal de que é mesmo dificil correr no nosso país, quando os nossos melhores ciclistas correm a pensar no triunfo.

Nomes em destaque ao longo da prova : Nelson Vitorino, sem ele o triunfo de Ricardo Mestre teria sido impossível. Ricardo Mestre, pelo espetáculo protagonizado na montanha. José Gonçalves acompanhou sempre os melhores nos momentos decisivos da corrida, sendo muito regular em todo o tipo de terreno. Sérgio Ribeiro venceu duas etapas e poderia ter sido o vencedor final com as bonificações e Iker Camaño, um espanhol já veterano com 33 anos, que passou por grandes equipas e que deu tudo o que tinha para tentar chegar com a amarela no final. Queixar-se-ia que não conhecia a ultima subida e que não a pensava tão curta, quando não poderia ter arriscado mais. No final, há sempre uma razão para justificar o falhanço.

A grande desilusão, ou melhor a grande interrogação, das razões pelas quais nos teremos de basear, para considerar fraca a participação de algumas equipas de sub-23, uma nem sequer chegou ao fim. Este é um ponto grave, para o qual nos deveríamos de debruçar, pelo menos aqueles que se interessam pelo ciclismo. Seriam estes e outros pontos também graves, que deveriam ter sido discutidos e analisados no ultimo Congresso Internacional.

Cabe aos clubes encontrar uma trajetória que aponte para uma saída, ou melhor uma nova partida para um ciclismo cada vez mais estranho, isto para não dizer mais pobre, e onde todos se lamentam, ficando-se, porém, pelos queixumes…

Uma palavra para a organização do Prémio Joaquim Agostinho que quis modificar o seu figurino, e se a aposta foi ganha, será difícil de concluir, poisa ultima palavra cabe ao organizador mas, ficou evidente, que o público apesar de numeroso no final da ultima etapa, não compensou a pouca chama e entusiasmo popular do tradicional circuito ao domingo, autêntica festa regional.

Os circuitos são a alma do ciclismo, uma espécie de via de comunicação entre o público e o ciclista, é pena que assim não seja entendido em Torres Vedras.

4 comentários a “Joaquim Agostinho : em jeito de rescaldo”

  1. Falam das equipas sub-23, umas tem melhores condições que outras e torna-se natural o resultado de algumas destas. Agora é ridículo este ano, o prémio, ter fechos de controlo a 8 %. Não é uma questão de dizer que é pouco, mas perante certos resultados da corrida torna-se manifestamente insuficiente. Estamos a falar de um circuito de Torres Vedras ao sábado onde já se sabe de todos os anos que muitos dos atletas não terminam, mas que este ano, há exemplo de um grupo de 24 atletas que corta a meta 8 segundos fora do controlo e a organização não perdoa, nada faz e vai tudo embora. A partir daqui aconteceu o que aconteceu, equipas sub-23 só com 1 elemento e mesmo uma que já nem partiu para a última etapa. As equipas sub-23 já tem que correr com as profissionais o ano inteiro, sujeitam-se a equipas com condições bastante superiores ás mesmas, apanham equipas estrangeiras que disputam corridas de alto nível lá fora. Tudo bem que é muito prestigiante, muito motivante, mas o que inicialmente é motivador rapidamente pode tornar-se numa desilusão.
    Falta a certos membros da federação,comissários, etc, saberem o que é passar 1 ano inteiro a treinar e o que se passa em cima de uma bicicleta. Não rebuscar um atleta que na 1 etapa teve problemas de digestão e que teve de parar 3 vezes no percurso esforçando-se na mesma para terminar a corrida ao qual o fez com 1 minuto fora de controlo e os comissários não perdoar, considerando essa uma situação normal de corrida, tal como é um furo, etc. Afinal o que é uma situação anormal de corrida para estes senhores ? Vir um tornado que afecta metade do pelotão ?
    Pensem, pensem bem no que isto se está a tornar ….

  2. “Queixar-se-ia que não conhecia a ultima semana e que não a pensava tão curta, quando não poderia ter arriscado mais. No final, há sempre uma razão para justificar o falhanço”

    Isto é que está aqui um português..não conhecia a última semana ou a última etapa????? enfim…..

  3. Em resposta as equipas que acabaram com apenas 1 atleta e algumas nem isso demonstra que temos de ver que os sub 23 devem competir com os do seu devido escalão e não com profissionais muito menos a pouco tempo da volta a portugal, onde todos já estaram ao seu melhor nivel.
    Querem comparar um tavira ou uma barbot com um orçamento de um Maia ou Valongo ?!
    Apesar de não ser elevado permite a que atletas em equipas continentais vivam do ciclismo minimamente, contudo podemos observar as equipas de sub 23 e dar o devido VALOR que permite alguns atletas para alem do desporto estudarem, pois porque caso nao viguem no ciclismo tem uma segunda ipoteçe.
    Dou imenso valor as equipas de clube e sou um espectador atento ao ciclismo em portugal, ao qual observo inumeros atletas com potencial a ficarem pelo caminho na vida desportiva mas em vista um futuro no mundo nos estudos em busca de uma boa qualidade de vida.

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