Prova de abertura: a corrida lotaria

Texto de opinião de José Santos

A prova de Abertura é uma das competições mais ansiadas pelos ciclistas, não só porque, como o seu nome o indica, marca o início oficial das primeiras pedaladas, como também, permite encontrar os amigos, e ver “ in loco “ as inovações de todos os componentes do pelotão nacional.

Este ano houve alterações de fundo: primeiro a prova mudou-se de Faro para Loulé, abandonou a RDP/ Algarve que, por estranho que pareça nem apareceu, nesta nova edição, e o pelotão foi misto: sub-23 e profissionais e, para finalizar, o percurso foi totalmente alterado, passando para uma prova bastante mais dura, com incursões pelas serranias circundantes a Loulé. Diremos, pois, uma prova mais selectiva.

À partida 92 ciclistas, dez dos quais da Onda- Boavista,e onde apenas faltou João Cabreira, que alinharam para os 145 kms, com a mesma intenção de todos os outros. A anteceder a prova, a habitual reunião de comissários, e se já não gostamos deste novo ciclismo, muito menos ficamos a gostar, de uma forma arcaica, de o dirigir.

Já não chega terem proibido os auriculares, para de uma assentada não permitirem os carros de apoio de comunicarem com os ciclistas, no seio do pelotão.

É um estranho ciclismo este, comandado por uma elite ultrapassada que, na sua inconsciência de criar leis, compara o incomparável, quer reduzir o ciclismo a um mero espectáculo, mesmo que essa redução vá em detrimento do conceito do desporto. E isto de reduzir, o que é desporto, a um espectáculo, tem os seus inconvenientes, mas sobretudo os seus imensos perigos…

Bom, mas passemos à prova propriamente, para analisarmos a participação da Onda – Boavista, e, mau grado os resultados finais não terem sido os melhores, a equipa esteve interventiva, lutando de principio ao fim e animando a corrida praticamente até o risco de chegada.
Primeiro por intermédio de Délio Fernandez, que andou em fuga perto de 90 kms, em companhia de Márcio Barbosa, o que lhe valeu a conquista do Prémio da Montanha, mas também pelo inconformismo de Ricardo Vilela, o primeiro a atacar em Salir, para mais tarde ,já a cerca de cinco kms da meta, ser a vez de Alberto Morras.

A equipa neste capítulo esteve bem, obrigou o Tavira a trabalhar a fundo para anular os 11 minutos que o Délio chegou a usufruir e, mais tarde a entrada da Barbot, para assegurar uma chegada ao sprint.
No final, e por força da chuva a corrida foi um pouco de lotaria, tão grande foram as quedas verificadas,(e onde nos faltou o Bruno Lima), Sérgio Sousa, da Barbot- Efapel foi o vencedor, logo seguido por um homem da casa, Bruno Saraiva, do Louletano.

E aqui uma palavra de saudade para os nosso amigos Jorge Piedade e o Tony, por não podermos contar com eles no pelotão profissional, mas tê-los no nosso pelotão é motivo de grande satisfação. Aliás Loulé, bem merece todo o nosso respeito, pela longa lista de amigos que temos o prazer de ter nesta zona do país. E daqui de Tavira onde estamos alojados, o nosso abraço, em vésperas de início da maior prova do ciclismo nacional: a Volta ao Algarve.

* director-desportivo da ONDA-Boavista

2 comentários a “Prova de abertura: a corrida lotaria”

  1. Proposta para o próximo ano :
    Equipa ProTour,- Direcção Comercial e staff publicitário – Carlos Pereira, Diretor Técnico Prof. José Santos/Fernando Carvalho, massagistas, Vitor Silva, Ricardo Pereira, mecânicos, Jorge Queirós, Joaquim Carvalho, Adjuntos da Direcção Alberto Carvalho/José Barros/Fernando Mota/José Azevedo/Gonçalo Amorim, médicos Dr. Benjamim Carvalho/ Jaime Milheiro, Atletas – “prata da casa” tudo nacional

  2. Acho muito inteligente estas cronicas do director do Boavista, assim divulga o Jornal e o Boavista, ficando os dois a ganhar muitos parabens.

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