Artur Moreira Lopes: “Não tenho ambição de presidir à UCI”

Eleito para o quinto e último mandato como presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Artur Moreira Lopes acaba de ser também de ser designado vice-presidente da União Ciclista Internacional (UCI). Perspectivando as tarefas que tem pela frente, o dirigente indica a aposta na pacificação do ciclismo e o combate ao doping como desafios ao nível da UCI e o desenvolvimento das vertentes de pista, BMX, BTT e freestyle como grandes desafios em Portugal.
Que expectativas tem para o mandato de vice-presidente da UCI?
As expectativas passam por dar o meu contributo para duas questões que são neste momento essenciais. Uma é a pacificação do ciclismo mundial, com o estabelecimento de um calendário compatível. A outra é a evolução do passaporte biológico.
Tem algum pelouro específico na direcção da UCI?
Não tenho pelouros, tenho é tarefas. Além de vice-presidente sou responsável pela Comissão de Estrada da UCI, sou administrador da Fundação Mundial de Luta Antidopagem e sou administrador do Centro Mundial de Ciclismo.
Acalenta a ambição de ser presidente da UCI?
Não.
Entretanto foi reeleito para o quinto mandato na FPC. Quais as principais apostas?

O crescimento das vertentes fora da estrada: BTT, BMX e Freestyle, que também será modalidade olímpica em Londres’2012. Relativamente à pista, com a construção do Velódromo Nacional e Centro de Alto Rendimento em Sangalhos, Anadia, é nossa intenção criar uma escola de pista. O freestyle parte do zero. No BMX é necessário criar mais pistas e multiplicar o número de praticantes. Quanto ao BTT, a maior aposta irá recair no cross country, que é uma modalidade olímpica.
Numa entrevista à Agência Lusa referiu a preparação da sua sucessão como outro aspecto central do quinto mandato.
Isso foi um erro de interpretação do jornalista. O que eu disse é que espero que dentro da minha equipa haja cada vez maior dinamismo e mais dirigentes a apresentarem projectos para o desenvolvimento do ciclismo. Isto para que, daqui a quatro anos, altura em que está fora de questão uma recandidatura da minha parte, possam sair deste leque de dirigentes que me acompanham o núcleo que dará seguimento ao trabalho que vem sendo realizado.
Apesar de ser alvo de várias críticas, ninguém se apresentou como alternativa nas últimas eleições. Estava à espera?
Há sempre aqueles que criticam por criticar. Relativamente aos outros, aqueles que têm projectos e ideias alternativas, mesmo não se tendo apresentado a eleições, convido-os a virem apresentar as suas propostas, porque podem ser importantes para o ciclismo.
Para quando novidades sobre o caso LA-MSS?
Assim que haja algum desenvolvimento, os senhores jornalistas saberão.
Que comentário lhe merece os resultados da autópsia ao Bruno Neves, entretanto tornados públicos?
Eu não estava cá quando as notícias saíram, mas já me informei sobre o assunto e parece que não se deu a fotografia completa. Ou seja, quando se retira a parte do todo há sempre modificações. Parece-me que é o caso. Há que ler o relatório completo e, eventualmente, debruçarmo-nos sobre os resultados e fazer novos estudos.
Houve um caso de ciclista que correu numa equipa portuguesa e que acusou o director-desportivo de lhe tentar fornecer substâncias dopantes que lhe seriam descontadas no salário. A situação chegou à UCI. Há novidades?
Não conheço desenvolvimentos, provavelmente não existirão provas que sustentem a acusação. O caso naturalmente será analisado pelas instâncias competentes, mas só teremos avanços se algumas provas forem apresentadas.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 10 de Outubro de 2008