José Martins: “Foi a vitória mais importante da minha carreira”

José Martins chegou à Volta a Portugal do Futuro com aspirações de lutar pelo triunfo, mas com um receio: ter um mau desempenho no prólogo. A vitória no contra-relógio de abertura acabou por moralizá-lo e, com a ajuda do forte bloco da Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia, chegou à “vitória mais importante” da carreira. Para quem já passou três temporadas entre a elite, esta época entre os sub-23 é tida como um relançamento da carreira para chegar de novo ao patamar de topo.
Qual a importância da conquista da Volta a Portugal do Futuro?
Foi a vitória mais importante que alcancei nos anos que levo de ciclismo, tendo-a conseguido na minha terceira participação na Volta do Futuro. Nas anteriores participações tive de trabalhar para outros colegas, como o Bruno Pires, o Bruno Neves ou o Gilberto Sampaio, pelo que as classificações foram um 19º e um 22º lugar.
Já chegou à corrida como chefe-de-fila ou foram os desempenhos durante a prova que determinaram que seria o líder?
Já se sabia que eu era um dos corredores da Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia que dava mais garantias, até por ser dos mais experientes. No entanto, tinha uma grande dificuldade para ultrapassar, o contra-relógio. Apesar de estar algo receoso sobre o que conseguiria fazer no prólogo, acabei por conseguir ganhá-lo. A partir daí senti que o director-desportivo, José Barros, cada vez confiava mais em mim.
Quem olhar apenas para as tabelas de resultados é levado a pensar que foi um triunfo fácil, tal o domínio da sua equipa. Mas, na realidade, foi preciso muito esforço.
Não há vitórias fáceis. Esta é a principal corrida do escalão sub-23 e entrámos nela com uma única ideia em mente: vencer. Temos uma equipa muito boa, repleta de ciclistas que sabem trabalhar para a equipa e que levaram a corrida no ritmo que nos interessava. Além disso, os meus companheiros ainda me conseguiram lançar para eu poder estar bem nos momentos decisivos.
Houve algum momento em que sentisse que tinha a vitória na mão?
Só depois de cortar a meta no último dia. Os adversários bateram-se sempre bem, especialmente as equipas do Santa Maria da Feira/E. Leclerc/Moreira Congelados, do Benfica e do Tavira/Palmeiras Resort. Deram luta até final.
Este tem sido um ano de extremos: começou a época como desempregado e agora alcança a sua vitória mais importante. Chegou a pensar deixar o ciclismo?
Nunca pensei que o Vitória-ASC desaparecesse no final da temporada transacta. Aliás, só nos foi comunicado o fim da equipa no dia em que fechavam as inscrições. Nessas circunstâncias vi-me sem equipa e sem grandes perspectivas de encontrar colocação. Foram momentos muito duros. Quando já tinha perdido quase completamente a esperança, recebi o convite do José Barros para integrar a Casactiva/Quinta das Arcas/Aluvia.
O que sente um corredor que, após três épocas como profissional, tem de regressar ao escalão inferior?
Custa bastante tomar essa opção, mas acho que foi uma boa decisão. Quem gosta de ciclismo tem de fazer alguns sacrifícios e este foi um deles. Felizmente tive apoio de muitas pessoas que sempre me disseram que para aproveitar a oportunidade, uma vez que pode ser uma forma de relançar a carreira e de voltar ao profissionalismo. Esse regresso ao escalão principal é a minha grande meta.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 8 de Agosto de 2008