Américo Silva: “O percurso da Volta a Portugal satisfaz-nos”

Américo Silva está satisfeito com o desempenho dos seus corredores em 2008 e não esconde que a Volta a Portugal, cujo traçado lhe agrada, é o principal objectivo. O director-desportivo da Liberty Seguros revela-se satisfeito com o desempenho do seu corredor mais vitorioso, Manuel Cardoso, assumindo, no entanto, que o sprinter pode ter sentido em demasia o peso da responsabilidade no dealbar da temporada. Sobre o caso LA-MSS prefere não falar, alegando falta de dados concretos.
Até ao momento, a Liberty Seguros é a equipa mais triunfadora do ano. Esperava ter tantas vitórias nesta altura?
O balanço é muito positivo, mas tendo em conta a equipa que temos e a evolução esperada e alcançada dos nossos jovens, já sabíamos que poderíamos ter sucesso. Por exemplo, o Filipe Cardoso tinha vencido uma corrida no final da época passada [Volta à Estremadura] e este ano ganhou o GP Abimota, que já é uma prova mais importante.
Os reforços e aqueles que continuam estão, portanto, a corresponder às expectativas?
Os ciclistas mais maduros, como o Héctor Guerra, já conquistaram vitórias. Os jovens têm demonstrado valor. Temos de estar satisfeitos. Sabíamos de antemão que os reforços contratados para este ano e a equipa que transitava da época passava nos davam algumas garantias. Com o plantel que construímos, temos a máxima ambição de ir para todas as corridas com intenção de ganhar. Se não conseguimos mais vitórias foi porque os adversários estavam fortíssimos, como aconteceu na Volta ao Algarve, em que as equipas estrangeiras se apresentaram com corredores muito fortes.
Apesar de serem ciclistas diferentes, podemos dizer que a troca de Cândido Barbosa por Manuel Cardoso foi uma aposta ganha?
Podemos dizer que acabou por funcionar. Tínhamos no Cândido um ciclista que servia para tudo, vencer provas por etapas e sprints. Agora temos corredores diferentes para as chegadas e para a classificação geral. Está a correr bem. Quanto ao Manuel Cardoso, está simplesmente a demonstrar todo o seu potencial. Terá sentido duas grandes diferenças: os objectivos passaram a ser direccionados para as corridas mais importantes e tem toda uma equipa a trabalhar para ele. No começo da época pode ter sentido o peso da responsabilidade de ter os companheiros a esforçar-se por ele, mas mal ganhou mais autoconfiança correspondeu com vitórias muito significativas nas quais demonstrou grande superioridade.
A Volta a Portugal será o grande objectivo para os meses que aí vêm. Como avalia o traçado, recentemente tornado público?
O nosso objectivo passa por todas as competições em que participamos. Logicamente não escondemos que a ambição máxima é a repetição da vitória na Volta a Portugal. O percurso satisfaz-nos, sobretudo porque o contra-relógio final é bastante selectivo, o que se adapta bem ao Héctor Guerra, que todos sabem ser a nossa principal aposta.

É este ano que leva o Vítor Rodrigues à corrida maior do nosso calendário?

Só em Julho decidiremos se o Vítor irá ou não estar presente na Volta a Portugal. Vai depender da avaliação que até lá eu faça da maturação física e psicológica desse corredor. O Vítor Rodrigues é um ciclista estrategicamente resguardado, tal como outros foram no seu tempo. Indo ou não à Volta, sabemos que é um corredor a quem damos menos dias de competição, devido à sua juventude. Se vir que está preparado para correr a Volta a Portugal, será seleccionado. Não queremos que vá a essa prova apenas para estar presente, tem de ir para fazer uma boa corrida.
Um dos assuntos que marcou este ano foi a investigação lançada sobre a LA-MSS. Como vê essa situação?
O impacto para a modalidade é sempre mau, porque quando se associa o ciclismo a aspectos negativos todos perdemos, independentemente de qual é o interveniente principal.
A Liberty Seguros rescinde imediatamente o contrato com a sua equipa se aparecer um caso de doping no colectivo. Já teve eco do patrocinador sobre os danos do caso LA-MSS ao conjunto da modalidade?
Temos contacto permanente com o patrocinador e aquilo que nos foi transmitido é que se mantém a total confiança no nosso projecto. O patrocinador entende que não devemos ser prejudicados por uma situação a que somos alheios. E nós agradecemos essa confiança e retribuímos com vitórias, como ainda recentemente fizemos na Volta a Trás-os-Montes e no GP Abimota.
O patrocínio da Liberty Seguros terminava em 2008. Que garantias tem de que continue?
Na apresentação da equipa para este ano recebemos o compromisso, que ainda não foi passado a escrito e que não ficou totalmente delimitado no tempo, de que o patrocínio seria renovado. Em princípio, a relação entre a Liberty Seguros e a equipa vai prolongar-se por mais dois ou três anos.
Voltando ao caso LA-MSS, que opinião tem sobre o afastamento da equipa das corridas até que o caso seja realmente deslindado?
Não posso ter opinião, porque, por princípio, só emito considerações quando estou em posse de dados concretos. Até ao momento, sei apenas o que a comunicação social publicou. Entre as notícias dos diferentes órgãos de comunicação social há muitas contradições, pelo que não tenho informações que me permitam fazer juízos avalizados.

Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 13 de Junho de 2008