Volta a Portugal de A a Z

A
Audácia
– O que faltou à maioria dos candidatos ao triunfo foi audácia. David Blanco e o Palmeiras Resort-Prio-Tavira mereciam que os adversários tivessem valorizado a vitória com mais luta. Não aconteceu. Nos momentos decisivos, escasseou ousadia para colocar à prova a superioridade tavirense.

B
Bernabéu
– David Bernabéu fez aquilo que dele se esperava. Foi regular, mas não primou pela combatividade. Apostou na esperança de que David Blanco tivesse um dia mau. Como isso não sucedeu, pôde festejar a vitória no contra-relógio e teve de contentar-se com o segundo lugar da geral.

C
Cândido
– Cândido Barbosa é, por direito próprio, sempre uma figura em cada Volta. Mesmo quando as coisas não correm bem, como neste ano. Vestiu de amarelo durante um dia, mas só ganhou uma etapa, ainda por cima graças a uma decisão polémica do colégio de comissários. Não conseguiu reforçar o recorde pessoal de conquistas da classificação por pontos. A falta de brilho em 2010 não apaga uma evidência: Cândido Barbosa faz falta ao pelotão, pois é a única referência e o único elo de ligação entre o cidadão comum e o ciclismo, por muito que isso custe aos inimigos que o “ciclista do povo” foi conquistando ao longo da carreira.

D
David
– David Blanco foi o verdadeiro Golias desta corrida e não se deixou surpreender pelo outro David. Mais forte nas montanhas, segurou a liderança no contra-relógio. O galego conquistou a quarta Volta antes de lhe ser atribuída a terceira, passeando classe pelos mais de 1600 quilómetros percorridos. Com este resultado passa a ser o segundo corredor da história com quatro vitórias na Volta, igualando Marco Chagas.

E
Espanhóis
– Apesar de já não serem a nacionalidade mais representada no pelotão, os espanhóis continuam a dar cartas. Os três primeiros da geral individual nasceram no país vizinho. Cinco das onze etapas foram ganhas por eles.

F
Fugas
– Um terço das etapas em linha terminaram com a consagração de um fugitivo. As fugas vitoriosas foram protagonizadas por Joaquín Ortega (Barbot-Siper), Oleg Chuzhda e José Herrada (Caja Rural)

G
Gomes
– O director da organização conseguiu colocar de pé a Volta num ano de grandes dificuldades financeiras do país e da empresa organizadora. O doping que ensombrou a edição anterior fechou algumas portas, o que ainda dificultou mais o trabalho de Gomes. Apesar de todas as condicionantes, conseguiu inovar ligeiramente, com a passagem do contra-relógio para a penúltima etapa, o que é sempre boa notícia.

H
Hernâni
– Hernâni Broco foi uma das figuras desta Volta. Qual Fénix renascida das cinzas, o corredor da LA-Paredes Rota dos Móveis conseguiu terminar a corrida como melhor luso, após dois anos de ausência da corrida mais desejada. Falhou o pódio, mas recuperou a confiança. Não seria mau acabar com as especulações e revelar por que não foi convocado para as Voltas de 2008 e de 2009.

I
Incêndios
– Os incêndios foram uma companhia frequente da caravana, que inspirou muitos litros de ar contaminado pelo fumo. A situação mais grave deu-se na sétima etapa. Os fogos na serra da Estrela amputaram a etapa-rainha de grande parte da dureza, levando o pelotão a subir à Torre pela vertente de Manteigas, a mais fácil de todas.

J
Joaquim
– Aos 40 anos, Joaquim Sampaio foi o mais velho dos participantes. A idade pesa sempre alguma coisa, mas o minhoto não deixou de dar a cara ao vento e de trabalhar com a qualidade do costume quando isso foi exigido.

L
Liberty
– A Liberty Seguros voltou a estar em destaque no maior palco do ciclismo português. Se a Selecção Nacional/Liberty Seguros deu pouco que falar, os responsáveis pela empresa acabaram por fazer-se notados. Revelaram que ponderam o regresso ao pelotão profissional, algo que já se sabia desde a assinatura do protocolo de colaboração com a Federação Portuguesa de Ciclismo. A novidade foi o convite endereçado ou a endereçar, as versões divergem, a Cândido Barbosa para dirigir a equipa a criar.

M
Mulheres
– A corrida foi comandada por duas mulheres. A francesa Catherine Gastou presidiu ao colégio de comissários, tendo como número dois a portuguesa Paula Martins.

N
Norte
– Alentejo e Algarve voltaram a ficar de fora de um traçado desenhado a norte do Tejo, que teve em Lisboa o ponto mais a sul. Em 2011 a partida será dada em Fafe e o restante figurino deverá ser parecido com o de 2010, anunciou já Joaquim Gomes.

O
Oleg
– O ucraniano Oleg Chuzhda ganhou uma etapa, vestiu de amarelo, andou escapado quase todos os dias e esteve perto de sagrar-se melhor trepador da corrida. Uma das principais figuras da prova.

P
Pérez
– Do espanhol Santiago Pérez (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow) esperava-se réplica aos melhores na montanha. Uma inoportuna asma arredou-o dos lugares cimeiros e deixou a equipa sem grande visibilidade.

Q
Quedas
– Houve várias. Nenhuma com influência no desfecho da corrida.

R
Recomeço
– A Volta de 2010 marcou uma espécie de recomeço da modalidade, que tenta reconstruir-se depois de um ano negro devido à dopagem. Espera-se que todo o pelotão tenha percebido a mensagem e que não surja qualquer caso que reacenda a polémica.

S
Serginho
– Conhecido no pelotão por “Serginho”, o matosinhense Sérgio Ribeiro foi uma das surpresas da competição. Venceu duas etapas e conquistou a camisola branca.

T
Televisão
– A Volta perdeu audiência na televisão. Ainda assim foi líder de audiência no horário de transmissão das etapas. Continua a ser uma boa arma para RTP1.

U
Último
– O holandês Coen Vermeltfoort (Rabobank Continental) foi o último classificado, merecendo a referência que sempre se dá ao lanterna vermelha de uma grande competição. Gastou mais 2h01m19s do que David Blanco.

V
Vilela
– Ricardo Vilela, 22 anos, foi o melhor dos 15 estreantes portugueses. Terminou a competição em 18.º, a nove segundos de conseguir prolongar a hegemonia da Madeinox-Boavista na classificação da juventude. Só o italiano Alfredo Balloni conseguiu derrotar o transmontano na luta pela camisola laranja.

X
Xeque-mate
– Apesar do favoritismo absoluto do Palmeiras Resort-Prio-Tavira e de David Blanco, os adversários mantinham alguma esperança de que o galego e a equipa falhassem. A forma autoritária como Blanco e companhia se portaram na Senhora da Graça foi uma espécie de xeque-mate a toda a concorrência.

Z
Zero
– Zero desistências foi o excelente saldo de quatro das cinco equipas profissionais portuguesas. Barbot-Siper, CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow, Madeinox-Boavista e Palmeiras Resort-Prio-Tavira alcançaram Lisboa sem baixas. Aliás, por vários motivos – menos etapas do que antigamente, poucos inscritos ou corrida menos ofensiva – a edição 72 da Volta foi a sexta da história com menos abandonos, apenas 17.

Foto: PAD/JLS

13 comentários a “Volta a Portugal de A a Z”

  1. Sou leitor assiduo do Jornal Ciclismo.A unica coisa que me desagrada é a permissão de alguns comentarios que os administradores permitem que aqui sejam postados.Não haverá maneira de filtrarem alguns comentarios ???

  2. Gostei muito,parece até que é mesmo o melhor resumo que se podia fazer.Parabens pela inspiração.

  3. Gostei da letra “S” mas tenho que vos dar os parabéns pelo vosso trabalho.Um grande abraço.

  4. Já muitas noticias sobre ciclismo nos são oferecidas por esta pagina.
    Agora tb querem que percam tempo sobre cicloturismo? Peguem no papel e numa caneta e vão para lá escrever.

  5. A nossa linha editorial é a que é. Assumimo-la e temos noção que não agrada a todos. Não temos a ambição de ser consensuais.

  6. Aquele sr justiceiro quer o quê, a corrida já acabou, não há mais noticias de sprints ou de subidas á montanha. Agora é fazer balanços e estas bincadeiras de grande criatividade. Agora acho admiravel dar-se ao trabalho de lêr, só para dizer mal, quando não me interessa não perco tempo com isso. Pôe na beira do prato, ainda assim achei um artigo engraçado. Parabens. :{P

  7. No A devia estar amnésia ou no E esquecimento, ou até no O de ostracismo.
    Que foi o que o jornalciclismo fez em relação à Etapa da volta dedicada ao CICLOTURISMO. Onde por certo estiveram muitos dos vossos leitores (eu estive). Que percebem melhor a vossa postura em relação a alguns temas!

  8. Sem ler como se pode saber se se gosta. Acho que o post está bom, sendo escusado secalhar alguns comentarios pessoais que se fazem notar.

  9. Sinceramente.. Este pessoal nunca está bem… Muito bom artigo e quem nao gosta que ponha na beira do prato

  10. Não tem mais nada para fazer do que isto? Um bocadinho de por favor! Façam masé notícias não batam mais no ceguinho! é mesmo só para encher o histórico de posts…

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