Delmino Pereira: “Há necessidade de criar figuras no BTT”

Delmino Pereira promete maior investimento nas selecções e revela ter em mãos um orçamento para levar representações nacionais a provas em Espanha, sendo legítimo esperar que a selecção nacional esteja presente no Mundial de cross country, em Madrid. O dirigente federativo mostra-se esperançado no fomento do profissionalismo e afirma que a federação tudo fará para ajudar a criar, entre os campeões de BTT, figuras reconhecidas pelo público.
Haverá maior investimento este ano nas selecções? Recordo que os praticantes de cross country queixam-se de que têm poucas possibilidades de evoluir em provas internacionais.
A nossa intenção é aumentar o orçamento das selecções nacionais e o cross country, como modalidade olímpica, inspira um grande desejo na Federação Portuguesa de Ciclismo de poder levar uma selecção aos Jogos Olímpicos.
Mas apenas para 2012.
Sim. Mas tenho a certeza de que nunca mais os orçamentos das selecções serão inferiores aos actuais. Irão crescer todos os anos, até porque acreditamos que o BTT será uma bandeira do desporto nacional. Este ano não foi possível participar nas olimpíadas porque não tínhamos entrada directa, era necessário preparar um dossiê a solicitar um “wild card” e quando essa oportunidade surgiu já não era viável, pois o próprio Comité Olímpico não viabilizou esse pedido de atribuição do “wild card”.
O profissionalismo é possível no BTT?
A competição é um assunto muito sério e só será levada a sério no BTT quando as empresas que estão na modalidade puderem proporcionar condições de profissionalismo e de semiprofissionalismo. Estamos a chegar a esse ponto e o nível irá melhorar, porque não podemos comparar o praticante que trabalha noutra área e aquele que apenas se dedica ao desporto. Portanto, acreditamos que, em breve, teremos atletas de nível nacional. Mal sintamos isso, levamo-los a competições internacionais.
Isso será já para 2008?
Sim. Tenho em mãos um orçamento para analisar a deslocações. Não podemos ir a todas, mas poderemos ir a algumas provas em Espanha. Madrid [onde se realiza o mundial de cross country] não é assim tão longe.
Teme ser mal recebido no meio por ser um homem da estrada destacado para coordenar o BTT?
A ideia da minha deslocação para o BTT foi colocar uma pessoa nova no terreno. Assumimos que era preciso fazer mais pelo BTT e é para isso que cá estamos. Por outro lado, não sou um homem da estrada, sou um homem do ciclismo. E também gosto muito de BTT. Já em 1986, quando fui correr aos Estados Unidos, vi logo que o futuro do ciclismo seria o BTT.
Como está a ser trabalhado o BTT ao nível das escolas de ciclismo?
Está a ser criado um encontro de escolas só para BTT e estão a ser preparadas escolas de BTT. Por outro lado, a inscrição das crianças até aos 14 anos custa apenas 10 euros.
Grande parte das provas está concessionada a empresas de eventos. Qual o “feedback”? Por vezes ouvem-se críticas.
Talvez esteja generalizado um espírito de crítica contra a federação. As provas são concessionadas a várias organizações, que têm liberdade para as desenvolver e rentabilizar. Há provas da Taça de Portugal que são espectaculares e bem disputadas e outras que não são tão bem conseguidas. No entanto, são empresas cujo trabalho conhecemos e respeitamos. Em termos gerais, a fórmula tem funcionado bem.
Quais as estratégias da FPC para valorizar a Taça de Portugal?
Há necessidade de criar figuras no BTT. É nosso desejo criar campeões. Tentaremos promover os nossos melhores atletas para que haja referências na modalidade, ajudando-os a ter alguma penetração mediática. Por exemplo, no ano passado, pela primeira vez conseguimos protocolar com a RTP a transmissão de 435 minutos de transmissão de BTT no canal 2. Este ano, temos a informação de que está a ser mais fácil organizar as provas, porque a notoriedade já é maior.
Faz sentido ter de pagar para participar numa prova oficial quando já se pagou a inscrição anual na federação?
É uma situação polémica. O ideal seria que não se pagasse, mas as provas de BTT são caras e ainda não é uma modalidade aceite como alta competição. Ainda não sai na imprensa diária.

Trabalho de João Santos e José Carlos Gomes, publicado em 23 de Janeiro de 2008