Como funcionava a LA-MSS, segundo Manuel Zeferino

No dia em que Manuel Zeferino e Marcos Maynar foram absolvidos pelo Tribunal da Póvoa de Varzim da acusação de 16 crimes relacionados com a alegada existência de um plano de dopagem organizada na LA-MSS, o Jornal Ciclismo recupera parte da entrevista feita ao director-desportivo em 2007. Na altura, depois do triunfo, com Xavier Tondo, na Volta a Portugal, Manuel Zeferino explicou o funcionamento da equipa e a razão do sucesso desportivo até àquela data.

É muito exigente como director-desportivo?
Gosto de entrar nas provas para ganhar e os meus corredores estão mentalizados para isso. Têm de ganhar para melhorar o contrato. Se não ganham, têm de trabalhar para justificar o que ganham.

Como se incute esse espírito na equipa?
Quem vem para a minha equipa já me conhece um pouco e eu também tenho de conhecer mais ou menos aprofundadamente quem contrato. Corredores com pouca ambição ou que trabalhem pouco não entram na minha equipa. O que faço é um contacto directo com eles, tentando mentalizá-los, procurando que treinem mais. É muito importante ter os corredores mais velhos a apoiar os outros. Falo com os ciclistas quase diariamente, mas os mais velhos também lhes ligam frequentemente. Tenho um círculo montado dentro da equipa, que funciona.

A proximidade é um dos segredos?
A proximidade entre todo o núcleo duro da equipa é essencial. Por vezes, a minha mensagem pode nem passar, mas a do colega de equipa passa. Tenho isso tudo controlado.

Esse controlo não pode ser um tanto abafador?
Quem não aguentar a pressão que se vá embora. Somos uma equipa com muita pressão, mas é saudável e não asfixiante. Há corredores que não se pode pressionar muito, cada um tem a sua forma de estar. Por exemplo, o [Xavier] Tondo e o [Bruno] Pires são diferentes do Pedro [Cardoso] e do [João] Cabreira.

Sente que só é possível o sucesso com uma presença mais constante e não no registo do director-desportivo tradicional, mais afastado?
Ser um director-desportivo para dizer aos corredores que daqui a 15 dias vão para uma corrida e que lhes ligo no dia anterior para dizer a que horas devem vir, qualquer pessoa faz isso. É preciso fazer um acompanhamento diário para saber se um corredor vai surgir bem ou não na prova que tem como objectivo. Basta-me conversar cinco minutos ao telefone com um ciclista para saber como está.

Que tipo de perguntas faz?
Basta-me falar normalmente com ele, saber como correu o treino, que sensações teve, com quem treinou, que subida fez.

Numa altura em que temos métodos cada vez mais sofisticados, em que os planos de treinos são feitos por médicos, como é que a sua experiência se enquadra?
Converso diariamente com o médico da equipa. Funcionamos todos como um grupo. A maior parte dos ciclistas segue um treino marcado por mim e pelo médico, mas à parte isso falo com eles e eles com o médico, temos uma simbiose perfeita.

Como se consegue manter esse núcleo-duro de ano para ano?
Não é fácil. Há corredores que se integram bem nesta filosofia. Os grandes profissionais e aqueles que querem trabalhar integram-se perfeitamente.

9 comentários a “Como funcionava a LA-MSS, segundo Manuel Zeferino”

  1. Parabens Cordial. Bela verdade sobre o ciclismo. E Zeferino volta imediactamente que o Ciclismo Portugues necessita de ti..

  2. existem jogadores que nos clubes rendem na seleção são uma “merda” porquê? PERGUNTEM AO QUIERÓS!!!!!!! :))))))

  3. O Pires não anda Sr.afonso, já o XAVIER TONDO, o CABREIRA depois da LA MSS, ZABALLA…etc é ve-los a dar-lhe e porquê….????porque são bons. O Pires falta-lhe o pulso e isentivo do CHEFE, por isso ele é o SPECIAL ONE no ciclismo como o MOURINHO é para o futebol, custa engolir a alguns MAS É VERDADE !

  4. Como é possivel esta gente sair como se nada fosse? Isto era mesmo so Doping. Temos o Caso do BRUNO PIRES, digam o queez depois de sair da equipa do Zeferino? Não anda como andava…….esta tudo explicado.

  5. Cada um acredita no que quer….SR CORDIAL deve ser mais um a dar beijinhos na mão do CHEFE!!!!

  6. ah,ah,ah…”deste tipo de pessoas no ciclismo”…bla…bla…bla…olhe lá o que o sr zeferino disse é o mesmo que o queirós disse…a quem não servir a camisola da seleção que se vá embora…” e também o Nani veio embora, provavelmente não tinha nenhuma calisola que lhe servisse…mas pois claro estamos a falar de ciclismo e no ciclismo todas as palavras têm DOPING por trás…vão pentear MACACOS….E DE UMA VEZ POR TODAS ADMITAM QUE ISTO FOI TUDO UMA PALHAÇADA QUE ACABOU NO QUE ACABOU EM NADA.

  7. Aqui era tudo espectacular em conjunto. Quando a coisa deu para o torto já nem sabia o que o médico andava a fazer… Este senhor devia era ter vergonha na cara. Lá por ter sido absolvido pelo menos a mim não me tapa os olhos… Se quiserem melhorar contratos ? quem não aguenta a pressão sai ? Será que é preciso dizer mais alguma coisa ? Na minha opinião isto diz tudo acerca deste tipo de pessoas que andam no ciclismo.

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