Volta ao Alentejo plana com contra-relógio exigente

Sérgio Ribeiro, vencedor em 2006, é um dos dois homens do pelotão nacional que podem bisar
Sérgio Ribeiro, vencedor em 2006, é um dos dois homens do pelotão nacional que podem bisar

A Volta ao Altentejo, corrida que nunca repetiu um vencedor nas 27 edições já disputadas, será ganha em 2010 por um contra-relogista. Isso é, pelo menos, o que indica a teoria, quando olhamos para o percurso escolhido pela PAD/JLS, nova organizadora da prova que se realiza de 10 a 13 de Junho. Ao longo dos 538,6 quilómetros, divididos por quatro etapas,  só há duas contagens de montanha e existe um contra-relógio com uma distância suficiente para eliminar a vantagem que os sprinters consigam nas bonificações.

A “Alentejana” abre com uma ligação de 178 quilómetros, entre Vidigueira e Aljustrel. Pelo caminho há uma contagem de montanha de quarta categoria, que permitirá a quem passar lá na frente assumir o estatuto de melhor trepador até ao último dia, já que só na derradeira tirada haverá novo prémio de montanha.

A segunda etapa mantém a toada da planura, provavelmente endurecida pelo calor que, nesta altura do ano, já costuma fazer-se sentir. Os corredores irão pedalar ao longo de 180,2 quilómetros, numa viagem entre Viana do Alentejo e Estremoz.

A ligação que se adivinha determinante é a terceira, o contra-relógio de 18,4 quilómetros, que liga as piscinas de Reguengos de Monsaraz ao Castelo de Monsaraz. A chegada à fortificação implica uma subida final de dois quilómetros com uma inclinação média de 6,65 por cento, que poderá ajudar a tornar as diferenças de tempo mais pronunciadas.

A 28.ª edição da Volta ao Alentejo termina em Évora, depois de percorridos 162 quilómetros desde o Redondo, com a escalada à Serra d’Ossa, pontuável como terceira categoria, a ser a maior dificuldade montanhosa do dia e da própria “Alentejana”.

Estão inscritas quinze equipas, quatro delas estrangeiras. Com a descida ao escalão 2.2 do calendário internacional, a Volta ao Alentejo passa a receber formações e corredores de menor qualidade. Os forasteiros de 2010 são os greco-espanhóis da  Heraklion Murcia, os alemães da Nutrixxion Sparkase, a equipa espanhola de Vítor Rodrigues, Caja Rural, e os amadores franceses da Vendée U.

Numa prova que nunca teve um vencedor repetido, há dois homens que poderão bisar, caso façam parte das escolhas dos respectivos directores-desportivos, Sérgio Ribeiro (Barbot-Siper) e Danail Petrov (Madeinox-Boavista).

Etapa a etapa
10 Junho – 1ª Etapa: Vidigueira – Aljustrel, 178 km

Altitude/Local/Km percorridos/Km a percorrer/Hora
280 Partida: Terminal rodoviário 0 178 11h55
140 Moura: Início de subida 43,4 134,6 13h02
210 P. Montanha 4.ª categoria 47,7 130,3
254 Meta Volante: Serpa 80,8 97,2 13h55
310 Meta Volante: Beja 108,7 69,3 14h35
183 Meta Volante: Ferreira do Alentejo 150,9 27,1
211 Meta: Câmara Municipal 178 0 16h14

11 Junho – 2ª Etapa: Viana do Alentejo – Estremoz, 180,2 km
Altitude/Local/Km percorridos/Km a percorrer/Hora
250 Partida: Parque da Feira 0 180,2 11h55
244 Meta Volante: Montemor-o-Novo 46,9 133,3 13h07
174 Meta Volante: Mora 102,4 77,8 14h26
387 Meta Volante: Arraiolos 137,9 42,3 15h17
463 Meta: Câmara Municipal 180,2 0 16h17

12 Junho – 3ª Etapa: Reguengos de Monsaraz – Monsaraz, 18,4 km (C/R)
Altitude/Local/Km percorridos/Km a percorrer/Hora
243 Partida: Piscinas Municipais 0 18,4 18h00*
238 São Pedro do Corval 6,6 11,8 18h08
227 Telheiro 16,4 2 18h21
360 Meta: Castelo 18,2 0 18h24
* Partida do camisola amarela

13 Junho – 4ª Etapa: Redondo – Évora, 162 km
Altitude/Local/Km percorridos/Km a percorrer/Hora
292 Partida: Praça da República 0 162 11h55
390 Meta Volante: Alandroal 12,7 149,3 12h18
429 Meta Volante: Borba 72,6 89,4 13h43
445 Meta Volante: Vila Viçosa 77,8 84,2 13h51
335 Início Subida 109,6 52,4 14h36
529 P. Montanha 3.ª Cat. Serra d’Ossa 116,1 45,9 14h45
345 Meta: Rua Augusto Simões 162 0 15h51

Equipas inscritas
LA-Rota dos Móveis
Madeinox-Boavista
CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow
Barbot-Siper
Palmeiras Resort-Prio-Tavira
Cartaxo Capital do Vinho
Liberty Seguros/Sta Maria da Feira
Aluvia/Valongo
Mortágua/Basi
Maia/Bike Team
ASC/Vitória/RTL
Nutrixxion Sparkase
Vendée U
Caja Rural
Heraklion Murcia

Foto: PAD/JLS

11 comentários a “Volta ao Alentejo plana com contra-relógio exigente”

  1. quando é que sai a lista de inscritos? apesar de as equipas estrangeiras não apresentarem pergaminhos, nos seus planteis têm alguns corredores com capacidade, por isso, não convém colocá-las já de parte

  2. José Carlos diz-me qual a diferença entre a Alentejana deste ano e Torres Vedras ?
    Nunca ouviu nem li estas referências sobre aquela corrida. Se o meu querido amigo tivesse dito que os dois nomes que referiu são de equipas portuguesas estávamos de acordo, porque o Tondo, Bouet e Vasquez estão em actividade. Se há equipas que inscrevem massagistas e mecânicos como corredores, também o Gomes, o Chagas, o Zaferino, e outros que venceram a Volta se podem inscrever e entram no rol de possíveis vencedores. Apesar do meu caro Zé ser do Norte não desconhece a referência (Biblia) que fazem a um jornal desportivo com sede em Lisboa. Saudações do “Norte” do Algarve e vem à “AlentejanA” para comermos um gaspacho com peixe frito.

  3. Caro José Carlos não me apercebi que o nome estava “Algarvio”, fui eu (Teixeira Correia) que fiz o comentário anterior. Um abraço.
    Tx.

  4. Caro Algarvio… do Norte,

    A notícia refere-se aos corredores em actividade que podem este ano repetir o triunfo. Como sou ateu, a bíblia não é a minha leitura de cabeceira, não percebi essa referência. 🙂

    Que a descida para 2.2 é má, não tenhamos dúvidas. As equipas que cá vêm são de trazer por casa. Que mais vale descer para 2.2 do que não haver, é mais do que óbvio.

    Um abraço

  5. Meu caro José Carlos, olhe que há mais três ciclistas que estão em actividade que podem repetir triunfo na Volta ao Alentejo, ainda que possam não estar presentes.
    Xavier Tondo, Manuel Vasquez e Maxime Bouet.
    Nem tudo o que a “biblia” diz é verdade.
    Não é por a volta ter baixado para 2.2 que tem menos categoria. Será porque o António Vaqueriças deixa de meter equipas na Volta que esta deixa de ter valor ? Caro José Carlos eu percebo alguns mal dizentes da prova, porque pensam assim: “como não sou eu a ditar ordens, não presta ….”. Há pessoas que se querem eternizar e canonizar no ciclismo. Há quem queira ser único no ciclismo. Que a estrada é só deles, os gabinetes de imprensa, os carros, os computadores.
    Assim, o nosso ciclismo morre.
    Um abraço e desculpa se fui directo demais.
    Espero por ti e pelo João na “Alentejana”

  6. E como esta a volta trás-os-montes, que foi noticia quinta e ficou para hoje a decisão??

  7. É de facto uma alentejana para roladores.
    Lamento que a subida da Serra d’ Ossa não tenha sido prevista no dia da chegada a Estremoz. Embora esteja posicionada a cerca de 16 kms de Estremoz, se fosse considerada a ascensão no sentido Redondo-Estremoz, essa dificuldade poderia premiar um conjunto de audazes.

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