Ivan Basso parte como favorito, mas tem seis homens à espreita

A seis etapas do final da prova, há sete corredores que ainda têm grandes possibilidades de conquistarem a 93.ª edição da Volta a Itália. Apesar disso, a demonstração de força de Ivan Basso na subida para o Monte Zoncolan faz do italiano o principal favorito, numa candidatura reforçada pelo poderio da sua equipa, Liquigas-Doimo, que tem demonstrado ser o bloco mais bem apetrechado para a montanha, contando ainda com um segundo trunfo, Vincenzo Nibali.

Os dois primeiros lugares continuam ocupados por dois homens içados ao topo pela louca fuga da 11.ª etapa, David Arroyo (Caisse D’Epargne) e Richie Porte (Saxo Bank). Nenhum deles deve continuar na frente muito tempo, pois ambos já deram mostras de grande fragilidade na montanha. E duras subidas é o que não falta nos dias que aí vêm, começando pela crono-escalada de amanhã, 12,9 quilómetros entre S. Vigilio Marebbe e Plan de Corones.

À entrada para a recta final do Giro, Ivan Basso parte com vantagem sobre todos os grandes rivais. O homem que está mais perto é o espanhol Carlos Sastre (Cervélo), apenas a 48 segundos, mas com más indicações dadas nas tiradas de montanha do passado fim-de-semana. Segue-se o australiano Cadel Evans (BMC), a 1m10s de Basso. O campeão do mundo mostrou nas duas primeiras semanas ser o homem mais forte do pelotão, mas não tem equipa para o defender e, devido a isso, já gastou energias que lhe poderão faltar nos dias decisivos.

O terceiro dos favoritos é o cazaque Alexandre Vinokourov (Astana), que tem Ivan Basso a recuperáveis 2m18s, mas, à semelhança de Evans, não dispõe de bloco para o ajudar. Logo depois de Vinokourov surge o italiano Vincenzo Nibali (Liquigas-Doimo), a 2m35s do chefe-de-fila. O compatriota Michele Scarponi (Androni-Diquigiovanni) está a 3m01s de Ivan Basso. Mais longe, mas aparentemente em crescendo de forma, encontra-se Damiano Cunego (Lampre-Farnese Vini), a 5m46s o líder da Liquigas.

O primeiro tira-teimas entre os candidatos está marcado já para a crono-escalada. Na antevisão desta etapa poderíamos recorrer aos resultados de igual subida, feita em 2008. Acontece que dos principais corredores, só Nibali fez a crono-escalada há dois anos, ficando, na altura, na 18.ª posição, a 2m40s do vencedor, o entretanto proscrito Franco Pellizotti, que precisou de 40m26s para cumprir o percurso, a uma elucidativa média de 19,142 km/h.

A seguir ao contra-relógio de montanha, aparece uma etapa difícil, que exigirá concentração à equipa – muito provavelmente a Liquigas – que tenha de controlar a corrida, pois podem surgir vários ataques. Para provável descanso dos chefes-de-fila, o traçado inclui, no dia seguinte, uma tirada que se adivinha para sprinters ou fugitivos. Os últimos três dias serão demolidores, com muita montanha e um “falso” contra-relógio, já que se trata de um exercício individual curto e com uma montanha a meio, não permitindo grandes recuperações aos especialistas na luta contra o tempo.

Diferença de Ivan Basso para os adversários directos
Ivan Basso (Liquigas-Doimo), 67h52m15s
Carlos Sastre (Cervélo)m a 48s
Cadel Evans (BMC), a 1m10s
Alexandre Vinokourov (Astana), a 2m18s
Vincenzo Nibali (Liquigas-Doimo), a 2m35s
Michele Scarponi (Androni-Diquigiovanni), a 3m01s
Damiano Cunego (Lampre-Farnese Vini), a 5m46s

25 de Maio: 16ª etapa – S. Vigilio Marebbe – Plan de Corones (CRI) 12,9 km
Uma crono-escalada num percurso violento, tanto pela inclinação da estrada como pelo seu tipo de piso, que não está asfaltado em alguns troços. As rampas chegam aos 24 por cento de inclinação em algumas fases, fazendo com que nem os carros lá cheguem e os corredores sejam acompanhdos por motos de apoio.

26 de Maio: 17ª etapa – Brunico – Pejo Terme 173 km
Uma longa montanha a meio da viagem e uma chegada em subida final com pouca inclinação são os pontos quentes. Os homens mais fortes que queiram aumentar diferenças ou recuperar de um começo de Giro menos positivo poderão tentar mexer com a corrida.

27 de Maio: 18ª etapa – Levico Terme – Brescia 151 km
Os sprinters que ainda resistam no pelotão têm neste dia a última oportunidade de glória. É a mais curta etapa em linha da prova.

28 de Maio: 19ª etapa – Brescia – Aprica 195 km
O pelotão vai subir o temível Mortirolo (Cima Pantani), ainda por cima pelo lado mais duro. O trajecto da corrida impõe a ascensão desde Mazzo de Valtelina, uma exigente subida de 12,4 quilómetros que tem uma inclinação média de 10,5 por cento, apresentando rampas de 18 por cento. Segue-se uma longa descida, antes de a estrada voltar a apontar para o céu, embora de forma mais suave, a caminho da meta instalada em Aprica.

29 de Maio: 20ª etapa – Bormio – Ponte di Legno Tonale 178 km
Cinco prémios de montanha em 178 quilómetros já dizem muito sobre a última etapa em linha do Giro. As três primeiras subidas servirão para endurecer a corrida. A quarta será determinante ou não fosse o colosso Passo di Gavia, que tem 24,9 quilómetros, inclinação média de 5,6 por cento e rampas que atingem os 14 por cento. Após uma longa descida, haverá 12,1 quilómetros de ascensão para a meta, com troços que roçam os 10 por cento.

30 de Maio: 21ª etapa – Verona – Verona (CRI) 15,3 km
O quarto e último contra-relógio da competição está longe de ser o ideal para os especialistas na luta contra o tempo. Antes de mais, porque é pouco extenso. Mas também por incluir uma subida pontuável para a montanha a meio do percurso.

Imagens: Liquigas e Giro d’Italia

12 comentários a “Ivan Basso parte como favorito, mas tem seis homens à espreita”

  1. Eu n entendo como se pode dar um carlos sastre como favorito para o dia de hoje e até para a geral do Giro, dps deste ter levado 2.44min do Basso na ultima montanha.
    Será que só eu é que vi o que o Ivan Basso fez? 2.44min são quase 3 minutos. O basso n tem mudanças de ritmo e apostam no sastre? lol É a brincar, o sastre é que n tem msm mudança de ritmo, ele é sp o primeiro a descolar no momento do ataque, dps vai passando ciclistas no seu ritmo. Mas pronto, cada um tem o direito á sua opinião.

  2. ITT – Plan de Corones
    1o sastre 2o scarponi 3o vino 4o cunego 5o evans 6o gadret 7o pinotti 8o arroyo

  3. nao acredito em basso, aposto em evans ou sastre pois basso nao tem mudanças de ritmo para o tipo de montanhas que faltam e o contra-relogio nao o ajudara

  4. O Nibali teve um grande dia, e no monte zoncolan perdeu algum tempo.
    O mesmo pode acontecer ao basso. Nao se esquecam que o sastre é bastante forte na 3º semana

  5. O Ivan Basso tem de ter muito cuidado com o Sastre que está claramente a subir de forma.

  6. O Arroyo não vai perder a camisola amanhã, nem 4ª nem 5ª, apenas 6ª ou sábado logo é homem para acabar de 3º a 5º da geral. E com um contra relógio destes na ultima etapa tá safo.
    Não se esqueçam.

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