Factos contrariam depoimento de Maynar em tribunal

Maynar entrou para a LA-MSS em 2007
Maynar entrou para a LA-MSS em 2007

Os factos apurados pelo Jornal Ciclismo contrariam a tese usada em tribunal pelo médico espanhol Marcos Maynar, acusado, em co-autoria com o director-desportivo Manuel Zeferino, de 16 crimes de administração de substâncias dopantes e de manipulação de substâncias alimentares e medicinais. Tentando refutar a responsabilidade pelas pastas com nomes de corredores contendo ficheiros com planos de dopagem e de treino, encontradas no seu computador pessoal, Maynar disse que eram ficheiros enviados pelos próprios ciclistas e que tinham sido concebidos pelo antecessor no cargo de médico das estruturas dirigidas por Manuel Zeferino. Para justificar o facto de os documentos estarem redigidos em castelhano, Marcos Maynar nomeou como antecessor o espanhol Jesús Losa.

Acontece que Marcos Maynar entrou na LA-MSS em 2007. O antecessor de Marcos Maynar na LA-MSS foi o clínico que representou a Maia Milaneza em 2006, ou seja, o português Benjamim Carvalho e não Jesús Losa. É o próprio Benjamim Carvalho que o confirma, em declarações ao Jornal Ciclismo: “Na realidade, entrei na Maia nessa época [2006] e de nada me apercebi.Contudo, diziam-me que era voz corrente dizer-se que para termos este médico [Benjamim Carvalho] era melhor não ter nenhum”.

O actual médico do Palmeiras Resort-Prio-Tavira não descarta, todavia, a possibilidade de haver planos de treino e dopagem, relativos a essa época, elaborados por um outro clínico. “É prática, dentro das equipas, diversos ciclistas serem seguidos por médicos que não os da equipa e até por curiosos, ao que se fala. Portanto é provável tal ser verdade [planos elaborados por alguém que não Maynar]. Como nunca aceitei haver nas minhas equipas ciclistas seguidos por outros, é possível que  tivesse facilitado a máxima de que ‘o corno é o ultimo a saber'”, afirma ironicamente Benjamim Carvalho.

Perante as declarações do médico português, afigura-se plausível que houvesse planos de treino e dopagem anteriores à entrada de Marcos Maynar. No entanto, durante o julgamento que decorre na Póvoa de Varzim, todos os corredores inquiridos sobre o nome de Jesús Losa revelaram desconhecer este profissional. Por outro lado, entre os sete corredores com planos de dopagem delineados e guardados no computador de Marcos Maynar, três só chegaram à LA-MSS em 2007, ano de entrada do clínico espanhol, estando noutras equipas em 2006. Os planos destes ciclistas não podiam, portanto, ser da lavra do antecessor de Maynar.

Confrontado com o teor da documentação encontrada no seu computador, Maynar disse ao tribunal que aquilo eram planos de treino que lhe foram enviados, a seu pedido, pelos corredores. Seriam, na versão de Marcos Maynar, referentes à época anterior, 2006, e teriam sido elaborados pelo seu antecessor no cargo, o espanhol Jesús Losa. Isso justificaria o facto de estarem escritos em castelhano. Maynar assegurou que deu ordens aos ciclistas para deixarem de seguir aquela preparação, pois era ilegal.