Dirigente italiano diz que há doping generalizado

Dirigente da Amore & Vita-McDonalds não tem papas na língua
Dirigente da Amore & Vita-McDonalds não tem papas na língua

Ivano Fanini, presidente da equipa que tem bênção papal, Amore & Vita-McDonalds, não faz das suas opiniões um segredo de sacristia. Antes pelo contrário. Periodicamente vem a público apontar o dedo àquilo que entende ser a dopagem generalizada no ciclismo. Desta vez, fê-lo em entrevista ao jornal Repubblica, com acusações tão polémicas como dizer que se Ivan Basso tivesse continuado a dopar-se teria ganho o Giro e a Vuelta em 2009.

“O único atleta que eu gostei em 2009 foi Ivan Basso. Tenho visto a sua transparência após o ciclone que investiu contra ele. A prova é o facto de ele ter conseguido apenas uma vitória. Se ele tivesse feito como em tempos passados, quando concorreu em igualdade de condições com seus adversários e no Giro 10 minutos ao segundo classificado, ele seria certamente vencedor do Giro e da Vuelta”, afirma o dirigente.

Reconhecendo alguns avanços na luta contra o doping, o dirigente italiano considera que são passos demasiado tímidos, pois “após os escândalos, as suspensões e as mortes em condições suspeitas, ouve-se dizer que são mais de cem os profissionais – só em Itália – que confiam a sua preparação a assistentes e ex-enfermeiros que estiveram envolvidos em casos de dopagem”.

O presidente da Amore & Vita-McDonalds não tem papas na língua e avança com nomes. “No ciclismo de hoje só conta o Deus dinheiro e é por ele que existe a omertà [pacto de silêncio mafioso] e, acima de tudo, se passa por cima dos princípios da transparência e da ética no desporto”. Com a nova época à porta, Ivano Fanini adivinha que os protagonistas serão os do costume:  “Conconi, Ferrari, Santuccione, Lazarus e o agora muito na moda Camorani”, diz, nomeando médicos e treinadores ligados a casos de dopagem.

Ivano Fanini defende que se ponha o “contador a zero” e que se comece pelas camadas jovens uma política de desincentivo e de controlo da dopagem. Além disso, preconiza a irradiação dos corredores e dos directores-desportivos envolvidos em casos de doping.

3 thoughts on “Dirigente italiano diz que há doping generalizado”

  1. Felizmente um artigo de jeito ! Não é que tenha dito nada de novo, porque toda a gente sabe que o doping esta generalizado .
    Se pensarem em doping nos cadetes estão certos, se pensarem em juniores estão certos, se pensarem em sub 23 tambem e se pensarem em profissionais também. Quanto aos juvenis e aos infantis não sei, por isso não digo que haja.
    Gostava de ter este senhor como presidente da nossa federação. Faz falta carácter, ética e rectidão a este cargo.
    Só não conhecia eram estes novos vitaminadores, vou pesquisar!

  2. Ora nem mais… Este senhor merece uma estátua. É bom ver que ainda há gente que tem valores e as ideias no sítio.

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