Contra-relogistas prejudicados pelos traçados das três grandes

Os contra-relogistas serão os “patinhos feios” das grandes voltas em 2010, preteridos na escolha dos traçados pelos organizadores do Tour, do Giro e da Vuelta. Enquanto os trepadores e os sprinters terão incontáveis oportunidades para se destacarem, os especialistas na luta contra o tempo não dispõem de muitas jornadas para fazerem valer os seus dotes.

José Carlos Gomes

A Volta a Itália é a corrida com menos quilómetros de luta individual contra o cronómetro, apenas 36,4. A Volta a Espanha terá 46 quilómetros da chamada “prova da verdade”, enquanto o Tour soma 59 mil metros desta disciplina. A corrida italiana é um paradoxo, pois consegue ser a competição, das três aqui em análise, com mais etapas em contra-relógio, mas fica aquém das restantes na quilometragem de esforço solitário. O Giro ganha, contudo, na distância dos “cronos” colectivos: 32,5 mil metros contra 16,5 da Vuelta e zero do Tour, que deixa esta disciplina de novo fora do programa, após o regresso em 2009. Das três grandes, só a “Corsa Rosa” tem uma crono-escalada, 12,8 quilómetros em Plan de Corones.

A montanha estará mais presente nas três grandes voltas em 2010. Apesar de o incremento de dureza ser generalizado, a Volta a França não o traduz por chegadas em alto, que serão apenas três. Espanhóis e italianos neste género de jornadas. A luta pela camisola rosa obriga os candidatos estarem na dicussão de três tiradas com final em montanha, às quais se junta a crono-escalada. Já a disputa da camisola vermelha, novo símbolo da liderança da Vuelta, terá ainda mais momentos de sofrimento a coincidirem com a meta: seis das 19 etapas em linha (cerca de um terço) terminam em altitude.

O percurso mais extenso é o da Volta a França, que soma 3596 quilómetros. Segue-se o Giro com 2407,2 quilómetros e a Vuelta com 3352,6 quilómetros. Mesmo com maior extensão total, o Tour revela algum equilíbrio etapa a etapa, apresentando apenas cinco ligações com 200 ou mais quilómetros. O Giro é mais desequilibrado. Oito das 17 etapas em linha da ronda italiana (cerca de metade) somam 200 ou mais quilómetros. Neste aspecto, a Vuelta é mais parcimoniosa, pois só duas das suas etapas igualam ou ultrapassam a barreira dos 200 mil metros.

Inovação a quanto obrigas
A tentativa de captação de atenções mediáticas tem levado os organizadores das maiores corridas do mundo a optarem pelo inovação. Em 2009, a Volta a Espanha, que se iniciou na Holanda, teve passagens por traçados mais comuns em clássicas, incluindo troços de pavé. Ainda que o impacto desta experiência não tenha sido muito notório, a iniciativa vai ser copiada pelo Giro e pelo Tour do próximo ano.

A Volta a Itália irá percorrer alguns troços de gravilha habitualmente trilhados pelos participantes na clássica Monte Paschi Eroica. O Tour levará os corredores por estradas das clássicas das Ardenas, além de entrar em território do Paris-Roubaix, com mais de 13 quilómetros em pavés. A inovação da Vuelta passou pela mudança da cor da camisola de líder e pela introdução de uma inédita chegada em alto à “Bola do Mundo”, a continuação da normalmente utiilizada subida a Navacerrada.

Contra-relógios
Total de km Contra-relógio
Giro: 68,9
Tour: 59
Vuelta: 62,5

Total de km Contra-relógio individual
Giro: 36,4
Tour: 59
Vuelta: 46

Total de km Contra-relógio colectivo
Giro: 32,5
Tour: 0
Vuelta: 16,5

Total de km Crono-escalada
Giro: 12,8
Tour: 0
Vuelta: 0

Montanha
Chegadas em alto

Giro: 3
Tour: 3
Vuelta: 6

Quilometragem
Percurso total

Giro: 3407,2 km
Tour: 3596 km
Vuelta: 3352,6 km

Etapas com 200 ou mais quilómetros
Giro: 8
Tour: 5
Vuelta: 2

1 comentário a “Contra-relogistas prejudicados pelos traçados das três grandes”

  1. o CRI é uma disciplina fantastica, quantos ciclistas baseavam os seus sucessos nos contra relogios como foram Lemond, Indurain, Ullrich ou Armstrong. Uma grande volta deve ser acima de tudo para um corredor completissimo, e nao para um contra relogista ou para um trepador como será o caso para 2010. Por este andar tambem poderiamos fazer um Tour com 5 CRI e uma chegada em alto, e nessa prespectiva poderiamos ter o Cancellara como vencedor. Se Pantani estivesse numa forma razoável ganharia com uma perna as costas o Giro e a vuelta em 2010 e tambem o Tour visto que o ultimo CR de mais de 50 kms situa-se antes da chegada em Paris.

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