Liberty lamenta que não se descubram responsáveis pelo doping na equipa profissional

O presidente da administração da Liberty Seguros Portugal, José António Sousa, lamentou hoje que o “jogo do empurra” impeça a descoberta dos responsáveis pelo caso de doping que pôs fim à equipa profissional patrocinada pela seguradora. O gestor referiu-se ainda ao grande retorno obtido com o investimento na modalidade e deixou entreaberta a porta do regresso ao ciclismo profissional, apesar de, até 2012, preferir apostar no ciclismo de formação, nas selecções e na luta contra a dopagem.

José Carlos Gomes

liberty“É um empurrar de culpas e acaba-se por nunca saber quem é realmente responsável. Sabe-se, isso sim, que os ciclistas é que ficam sempre com as culpas porque eles é que são apanhados”, disse hoje o presidente do Conselho de Administração da Liberty Seguros Portugal, José António Sousa, referindo-se ao caso de doping de Nuno Ribeiro, Héctor Guerra e Isidro Nozal, que ditou o fim do apoio da seguradora ao ciclismo profissional. As declarações do gestor foram proferidas durante a apresentação do protocolo hoje celebrado entre a seguradora e a Federação Portuguesa de Ciclismo.

José António Sousa rejeita ser responsabilizado pelo caso, desvalorizando eventuais pressões do patrocinador para a obtenção de resultados desportivos. “Eu também estou sob pressão da casa-mãe para implantar a empresa em Portugal e para obter lucros. E não é por ser pressionado que penso em roubar ou em recorrer a qualquer falcatrua”, explicou. O líder da Liberty Seguros contou também que projectava subir a equipa ao estatuto Continental Profissional já em 2010. “Nunca imaginei que este sonho acabasse daquela forma”, desabafou.

Apesar da “desilusão pessoal”, José António Sousa não hesita em afirmar que “o ciclismo é um desporto que nos apaixona”. Consciente de que o caso que levou à extinção da equipa profissional foi grave, a Liberty Seguros quer ajudar a “fazer a vida num inferno àqueles que queiram recorrer à dopagem”. É nesse sentido o protocolo com a Federação Portuguesa de Ciclismo, que irá permitir a criação de uma espécie de “passaporte biológico” a que se sujeitarão todos os corredores que pretendem envergar a camisola da selecção nacional, desde os cadetes aos sub-23, nas diferentes disciplinas do ciclismo, já a partir de 2010.

Enorme retorno
O abandono do ciclismo profissional pode não ser definitivo. “Se este projecto comum com a Federação Portuguesa de Ciclismo correr como ambas as partes desejam, pode ser que daqui a 3 ou 4 anos possamos voltar ao ciclismo profissional”, revelou, não fechando a porta a um eventual apoio a um projecto nacional Continental Profissional com wild card ou mesmo ProTour, apesar de ter uma ressalva a fazer: “É preciso que os meus chefes me deixem”, lembrou, aludindo ao descrédito da modalidade a nível internacional.

Na decisão a tomar pode também pesar o deve e haver da experiência com o apoio à formação da União Desportiva da Charneca. “Ao fim de 5 anos, o retorno foi absolutamente positivo. O ciclismo fez muito pela Liberty Seguros. Estamos muito gratos ao ciclismo e à própria equipa, pelo que ela nos deu enquanto correu limpa”, declarou José António Sousa, antes de apontar uma estimativa do retorno: “Em cinco anos conseguimos uma notoriedade semelhante e, em muitos casos, superior à de empresas que estão no mercado há 80 ou 100 anos”.

No futuro próximo, além do patrocínio às selecções e à federação, passa pelo apoio, como patrocinador principal, à escola de ciclsimo de São João de Ver. A manutenção da Liberty Seguros no mundo do ciclismo foi uma aposta da federação, após conversa entre o presidente, Artur Lopes, e o presidente-adjunto, Delmino Pereira, confidenciou o primeiro. “No próprio dia em que se soube do fim da equipa da Liberty Seguros tive uma conversa com o Delmino Pereira e concluímos que deveríamos falar com os responsáveis da empresa. Como responsável máximo da modalidade em Portugal, envergonhei-me com o que aconteceu. Felizmente foi possível impedir a partida deste importante parceiro, conseguindo-se segurá-lo como parceiro ao mais alto nível, como patrocinador das selecções nacionais”, congratulou-se Artur Lopes.

O dirigente desportivo culpou o flagelo do doping pela incapacidade da modalidade para atrair mais patrocínios. “Tivemos duas medalhas de prata em mundiais, uma medalha de prata olímpica, uma medalha de ouro em campeonatos da Europa. Em que patamar poderíamos estar hoje se não fossem os sucessivos escândalos?”, questionou Artur Lopes. O caminho será, portanto, “de tolerância zero. O ciclismo é um desporto lindo, de suor e cabeça erguida”, sublinhou o presidente da federação.

5 thoughts on “Liberty lamenta que não se descubram responsáveis pelo doping na equipa profissional”

  1. querem ganhar injustamente. agora bem feito ficam ai como nem uns caes no canil SO TENHO PENA QUE O NUNO RIBEIRO SEM CULPA NENHUMA NAO CONTINUE A CORRER VOCES SAO HIPOCRITOS

  2. Curioso verificar que nunca ninguém perguntou aquele rapaz que em tempos foi ciclista em Espanha e depois veio para Portugal ser director desportivo do LA,como é que ele ao final de tantos anos no ciclismo não sabia da nada nem conhecia o que se passava ao torno dele…
    Já a Liberty parece um grupo de meninos do coro,depois do que se passou em Espanha com o time local,deixar solto o time em Portugal,sem verificar se o nome da empresa estava bem defendido,é ridículo e de uma incompetência sem limites.
    Quanto ao apostar na formação,lembrem-se do que aconteceu nas voltas a Portugal das classes de formação e fiquem de olhos abertos…

  3. Enquanto andarem pessoas como o Sr artur Lopes no ciclismo o ciclismo nao vai evoluir

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