Regresso ao passado: A última vitória de Eladio Jimenez

A 12 de Agosto, Eladio Jimenez triunfou no alto da Nª Srª da Assunção na sexta etapa da Volta a Portugal cruzando a meta fazendo gesto de embalar uma criança e com o polegar na boca num gesto dedicado a vitória à filha recém-nascida. Na altura expressou-se assim: “Tenho uma filha com três meses e meio e dedico-lhe este triunfo. Houve vários ataques e na resposta a um deles ataquei eu, era a altura certa e ne olhei para trás. Vim para a vitória”.
A vitória em Santo Tirso foi alvo de um resultado positivo por “EPO Recombinante” – a contra-análise é feita no próximo dia 15 – que acabou com a carreira do corredor. O Jornal Ciclismo recupera a crónica desse dia pela pena de José Carlos Gomes.

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Volta a Portugal: Eladio Jiménez ganha, favoritos prosseguem luta ao segundo

Link directo e classificação:  http://jornalciclismo.com/volta-a-portugal-eladio-jimenez-ganha-favoritos-prosseguem-luta-ao-segundo

“O espanhol Eladio Jiménez (CC Loulé-Louletano-Aquashow) venceu hoje a sexta etapa da Volta a Portugal, uma ligação de 174,6 quilómetros entre Barcelos e o alto da Senhora da Assunção, montanha de segunda categoria. O português Nuno Ribeiro (Liberty Seguros) manteve a liderança da prova, aumentando a diferença para o segundo classificado, João Cabreira (CC Loulé-Louletano-Aquashow), que está agora a 7 segundos da camisola amarela. Na luta ao segundo pela vitória final, David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira) e Rubén Plaza (Liberty Seguros) aproximaram-se de Ribeiro, no dia em que uma queda atirou Hugo Sabido (LA-Paredes Rota dos Móveis) para fora dos dez primeiros e em que as dificuldades da estrada mostraram que Héctor Guerra (Liberty Seguros) é uma carta fora do baralho na disputa da vitória.

A escalada para a Senhora da Assunção não é tão dura quanto isso, mas a forma rápida como foi abordada era de molde a provocar algumas diferenças, sobretudo porque toda a tirada se disputou sob calor intenso. Os ataques sucederam-se desde os primeiros metros da escalada, com Bruno Pires (Barbot-Siper) a abrir as hostilidades. Depois de alcançado o alentejano, sucederam-se as escaramuças e na resposta a uma dessas movimentações, a cerca de 3 quilómetros do final, Eladio Jiménez disparou para a vitória na etapa.

Entre os favoritos à vitória na Volta, o mais activo foi Patrik Sinkewitz (PSK Whirlpool-Author), acabando por pagar a factura e ceder alguns segundos na meta. Nuno Ribeiro teve a situação sempre controlada e respondeu às mexidas dos corredores mais próximos de si. Na aproximação à meta, o ataque mais letal surgiu de onde menos se esperava, Rubén Plaza (Liberty Seguros), que não puxou um metro no auxílio ao líder, arrancou com uma velocidade impressionante para o segundo lugar – pensou que ganhara e levantou os braços – e com ele levou David Blanco, fazendo com que o galego do Tavira ficasse em terceiro e se acercasse de Nuno Ribeiro, graças às bonificações.

Os quilómetros finais desta jornada deixaram a nu várias situações. Desde logo que Américo Silva, ao contrário do inicialmente anunciado, não tem total confiança em Nuno Ribeiro. Vai deixar ao camisola amarela a tarefa de marcar os corredores mais próximos de si – aqueles que teoricamente menos hipóteses terão no contra-relógio – deixando para Rubén Plaza a obrigação de estar taco a taco com David Blanco. É uma estratégia arriscada, pois Plaza perdeu poder nos contra-relógios e, sem um investimento total em Nuno Ribeiro, a Liberty Seguros pode perder pau e bola.
Além desta precisão acerca da estratégia da Liberty Seguros, a sexta etapa da Volta reduziu o lote de candidatos.

Olhando à geral saída da tirada de hoje, vislumbram-se cinco homens com grandes possibilidades de lutarem pela amarela final: Nuno Ribeiro e Rubén Plaza (Liberty Seguros), David Bernabéu (Barbot-Siper), Patrik Sinkewitz (PSK Whirlpool-Author) e David Blanco (CC Loulé-Louletano-Aquashow). João Cabreira (CC Loulé-Louletano-Aquashow) e Tiago Machado (Madeinox-Boavista) poderão ter uma palavra a dizer, o primeiro porque dispõe da Torre para ganhar terreno, o segundo porque é fortíssimo no contra-relógio. Hugo Sabido e Ruslan Pidgornny (ISD-Neri) podiam ainda estar nas contas não fosse a perda de contacto com o pelotão, devido a uma queda colectiva, na etapa de hoje. Quem disse adeus definitivo às ambições foram Héctor Guerra, Bruno Pires e Cândido Barbosa.”

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