Os impostos são um problema

Ganhar muito dinheiro pode ser um problema. Que o digam Paolo Bettini, Davide Rebellin ou Mario Cipollini a contas com problemas de evasão fiscal. Para eles era simples: uma declaração de morada no Mónaco e um substantivo corte fiscal. O esquema compensou durante anos.

João Santos

Paolo Bettini foi investigado durante um ano pela Guardia de Finanza italiana que concluiu que o campeão olímpico e duplo campeão mundial tinha uma dívida a saldar: 11 milhões de euros. A evasão fiscal de Bettini foi tornada pública assim como o “esquema” montado: o peso da taxação é elevado em Itália e Bettini mudou-se em 2003 para Monte Carlo onde os impostos monegascos são menos castradores. O problema é que Bettini fazia a vida em Itália e, segundo a Justiça Italiana, tal considera-se uma fraude. Segundo testemunham as autoridades, o centro de negócios e interesses do ciclista retirado em 2008, está em Itália e não no Mónaco.

O caso não é inédito no ciclismo, nem sequer entre “personalidades” famosas ou desportivas de eleição. Em Setembro também o italiano Davide Rebellin foi “apanhado” enrolando-se em constantes problemas após a sua queda em desgraça revelado o “positivo” nos Jogos Olímpicos de Pequim. Rebellin dizia que residia em Monte Carlo mas treinava e vivia em Itália. No passado mês foi intimado a devolver o valor do prémio e a medalha conquistada nos Jogos.
Se ambos os casos são idênticos são quase cópia do problema fiscal que envolveu, em 2002, o alemão Boris Becker. Apertado pelas autoridades confessou que vivia na Alemanha apesar de ter alegar ter domicílio em Monte Carlo. A multa foi de 500 mil dólares.

O Mónaco é a perdição para os ciclistas que lá dizem morar. Em Abril, foi a vez de Mario Cipollini.
O “Rei Leão” foi condenado pelo Tribunal de Lucca a um ano e dez meses de prisão por omissão de declaração de rendimentos relativos aos anos 2003 e 2004. Em causa estariam somas de 1.059 milhões de euros e mais 277 mil euros não declarados do ex-sprinter e ainda uma verba de 505 mil euros de falta de pagamento ao Estado italiano. A defesa de Cipollini simplesmente alegou com o mesmo argumento da acusação: a residência fiscal de Cipollini é no Mónaco.

Pelas ruas de Monte Carlos são vários os ciclistas que já la moram, provavelmente seguindo as pisadas dos pioneiros italianos. Simon Gerrans, Gert Steegmans, Philippe Gilbert, Wesley Sulzberger, Mark Renshaw, Baden Cooke, Matthew Goss, Thor Hushovd ou Stuart O’Grady poderão argumentar as temperaturas mais suaves e a privacidade – como o fez Tom Boonen em devida altura – que não tem nos seus países de origem mas o principal critério de decisão é só um: pagar menos impostos.

O caso português
Se a evasão fiscal é um crime na agenda do governo o pelotão português enfrenta um processo semelhante. Em Abril, o Clube de Ciclismo de Paredes, que suporta a actividade profissional da equipa Fercase-Paredes Rota dos Móveis, foi notificado pelas finanças para o pagamento de uma verba de €95.175,04 correspondentes à falta de pagamento de IVA .

Para as autoridades a interpretação é simples: qualquer subsídio entregue à colectividade deve ser encarada como patrocínio publicitário, dada a menção nas camisolas e, curiosamente, a ausência de formação no clube. Problemas com dívidas à segurança social são também frequentes não obstante a aplicação do “Recibo Verde” para a esmagadora maioria dos contratos profissionais das equipas.

As equipas de duas bandeiras
Mais flagrante é o caso das equipas italianas que, mediante uma redução fiscal compensatória, se transferem de forma “oficial” para a Irlanda. Em 2009, a Ceramica Flaminia – Bossini Docce, a CSF Group – Navigare e a LPR Brakes – Farnese Vini foram as formações que correram com capital italiano inscritas na federação irlandesa. Em 2010, as equipas italianas – Ceramica Flaminia, Colnago – CSF Inox e De Rosa – Stac Plastic voltam a inscrever-se na Irlanda ao passo que a Carmiooro – NGC é excepção: terá licença britânica.

Bettini teve domicílio no Mónaco entre 2003 e 2008
Bettini teve domicílio no Mónaco entre 2003 e 2008
Davide Rebellin terá que devolver a medalha e o prémio de Pequim
Davide Rebellin terá que devolver a medalha e o prémio de Pequim
Cipollini foi condenado em processo de evasão fiscal
Cipollini foi condenado em processo de evasão fiscal
Flaminia é italiana mas corre inscrita na Irlanda
Flaminia é italiana mas corre inscrita na Irlanda
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10 comentários a “Os impostos são um problema”

  1. Caro Roberto mas é o DR.Artur Lopes que “faz” as leis! Ao Sr. Paulo Couto tem de as propor, mas a ha coisa que nao se “precisa” propor. é a minha opiniao.

  2. Não vejo porque seria o Dr. Artur Lopes a resolver o problema. Se calhar esse papel cabia ao Sr. Paulo Couto, cuja associação em vez de defender os direitos laborais dos ciclistas preferiu andar para aí a patrocinar a defesa dos dopados.

  3. e mais acrescento, a ekipas em k so pagam 10 meses é uma vergonha nao? e isto pk? pk a federaçao tem a lei de 10000€ ano ora isso para as ekipas pagarem 1000€ por mes da os 10 meses as k pagam enfim a coisas k teem de mudar, pk nao passar a 12000€ ano. 10 meses é nos sub23 akeles k recebem. vergonha… fazendo contas um ciclista k passe a pro pela 1º vez ou k nao tenha feito descontos recebe 800€ pois os outros 200€ é logo retenção, akeles ja com descontos ficam a receber cerca de 600€ mais coisa menos coisa , 200€ retençao e 200€ segurança social, akela k nao teem direito como ja foi dito pk nem baixa, nem fundo de desemprego… e mais algumas coisas dessas. isto tem k mudar…axo k o DR. Artur Lopes em vez de passear portugal uvp-fpc e suiça uci devia era ver este nosso ciclismo!!!! comentem era bom

  4. No ciclismo nacional alem de se ganhar muito pouco ainda se tem impostos bastante altos, se existe um contrato de trabalho entao porque os ciclistas e pessoal de trabalho são considerados trabalhadores independentes?? É uma injustiça, alem de descontarem do proprio ordenado nem direito a baixa nem a fundo desemprego tem, para nao falar do subsidio de ferias e natal que tambem é um direito de quem trabalha para uma entidade patronal, era bom que quem trabalha para uma equipa todo o ano fosse considerado um trabalhador por conta de outrem… Já chega de exploraçao ao ciclismo nacional

  5. Nem mais, jony coltran, é bom fazer descer a política ao ciclismo, mas é preciso ter cuidado com os maus exemplos que daí possam vir!!

  6. O que me espanta é ninguém reclamar os Milhões dados como perdidos todos os anos nas equipas de futebol e em estádios de futebol que agora estão ao abandono.
    Enfim, se eu fosse ciclista fazia tudo para n pagar nada ao fisco. Os portugueses ganham uma miséria e ainda têm que fazer descontos, ficando praticamente com uma ninharia para viver… N percebo pk é que temos que pagar tanto ao estado. Quem sofre a treinar e competir? Os atletas ou os barrigudos que estão no parlamento?

  7. Se assim for, fazes muito bem Paolo, estás simplesmente a imitar os políticos da tua terra!! Os nossos ciclistas também podiam seguir o exemplo dos políticos de vanguarda que temos neste ramo; mas como ganham pouco, pouco têm a deduzir..

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