Camisola com História – Artiach-Royal

A Artiach-Royal é uma equipa espanhola, dirigida por Francisco (“Paco”) Giner, que marcou a década de 1990. Apesar de ter rodado nas estradas apenas durante sete temporadas, de 1990 a 1996, conseguiu alguns triunfos, deu a conhecer bons corredores e… esteve em plano de evidência nas corridas portuguesas.
O patrocinador do grupo desportivo tinha interesses comerciais no nosso país, daí que as provas lusas fossem uma prioridade para a Artiach-Royal, que, em Portugal, chegou a mudar a designação para Royal-Artiach. Numa altura em que os conjuntos estrangeiros abordavam as provas nacionais como meras etapas de preparação, o afinco dos pupilos de Giner não passava despercebido.
Aliás, só na primeira das sete épocas da equipa é que não houve pelo menos um representante do nosso ciclismo no plantel. Foi em 1990. Logo no ano seguinte, Paco Giner teve três corredores portugueses às suas ordens: Américo Silva, que se manteria até 1995, José Santiago e Amílcar Neves, ambos numa experiência efémera que durou apenas a temporada de 1991.
Em 1992, só o actual director-desportivo da Liberty Seguros competiria com a camisola da Artiach-Royal. Um ano depois juntou-se-lhe aquele que viria a ser o português com melhores resultados na equipa, Orlando Rodrigues. O corredor nascido em Moçambique venceria a Volta a Portugal em 1994 e 1995, além de outras provas: Campeonato Nacional e Circuito de Getxo (1994); Troféu Joaquim Agostinho e GP Sport Notícias (1995).
Em 1996, Américo Silva regressou a Portugal para terminar a carreira na W52 e Orlando Rodrigues transferiu-se para a Banesto, onde foi um dos gregários de Miguel Indurain. Nesse mesmo ano, a Artiach fundiu-se com a Kelme, tendo nascido a Kelme-Artiach, super-equipa com dois cérebros, Alvaro Pino e Paco Giner. O “honra” portuguesa foi representada por Quintino Rodrigues. Foi o último ano da marca de bolachas no pelotão profissional. A Kelme seguiu o seu caminho, a Artiach desligou-se.

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